Comunidade da Biblia Catolica

Conhecendo a Palavra de Deus

Christian Géa

Espiritismo X Santíssima Trindade

Espírita: O amado mestre Jesus não pode ser Deus, pois existe apenas um único Deus. Deus criou o céu e a terra e todas as criaturas para evoluirem e Jesus é apenas um ser como nós que está muito mais evoluído em função das inúmeras reencarnações que passou.

Católico: Note que Deus reconhece o Filho como Deus. Em Hebreus 1,4 diz que Jesus é bem maior que os anjos, no versículo 5 Deus fala que a nenhum anjo disse que é filho dele e que o gerou. Se Jesus fosse apenas um espírito elevado como a doutrina espírita diz, então Jesus teria o mesmo tratamento que os demais anjos. No versículo 8 complementa dizendo: o teu trono, ó Deus, subsiste para a eternidade. Note que Deus se refere a Jesus como “ó Deus”, dizendo: o SEU trono subsiste para a eternidade. Sabemos que na Bíblia está escrito que Jesus está sentado à direita do Pai de onde há de vir e julgar os vivos e os mortos; neste mesmo versículo (8) Deus diz: o Cetro do teu Reino é Cetro de Justiça. No versículo 9 o próprio Deus novamente chama Jesus de Deus. Portanto este é o mistério da Fé. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Isto está na Bíblia e não foi uma invenção da igreja Católica. Por que chamamos de mistério? Porque isto somente entenderemos com clareza quando estivermos na Glória de Deus.

Espírita: Os espíritos têm ‘escalas de evolução’, não é tão simples como dizer: Deus, Jesus, Anjo, Santo. No espiritismo Deus criou todas as almas simples e ignorantes. Só tem criador e criatura. As almas vão crescendo à medida que vão adquirindo estudo e amor. Isto faz muito mais sentido do que dizer: Acredite nisto e não discuta! (dogma) Nosso amado mestre Jesus Cristo veio a terra para ensinar as pessoas sobre amor e caridade. A santíssima trindade NÃO está na bíblia, isto foi criado depois pelos católicos. Mas espere! Qual é o ‘tratamento diferenciado’ que Jesus teve dos anjos?

Católico: Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, tão superior aos anjos quanto excede o deles o nome que herdou. (Hb 1, 3-4)

E novamente, ao introduzir o seu Primogênito na terra, diz: Todos os anjos de Deus o adorem (Hb 1, 6)

Se isto não for tratamento diferenciado então não sei o que é: “TÃO SUPERIOR AOS ANJOS” e depois “TODOS OS ANJOS DE DEUS O ADOREM”. Desculpe, mas Jesus não é simplesmente uma Criatura de Deus como os anjos e espíritos. Sabemos que todos (homens, Anjos e Santos) devem adorar somente a Deus, pois adorar algo ou alguém que não seja Deus é idolatria, então por que Deus ordenou aos Anjos que deveriam adorar Jesus? Se Cristo não fosse Deus Filho adorá-lo seria idolatria. Também existe a passagem onde os 3 Reis Magos vão adorar Jesus. Isto prova a divindade de Jesus Cristo. E Deus não criou todas as criaturas de igual modo, ignorantes, para irem evoluindo. Os anjos já foram criados com status de anjo, veja:
Salmos, 8
5. Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles?
6. Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos, de glória e honra o coroastes.

Note que se fomos criados quase igual aos anjos e os anjos já existiam antes do homem ser criado por Deus.

Espírita: Se você está dizendo que podem existir dois deuses. Não tenho nem o que discutir.

Católico: De uma vez por todas, não são dois deuses. São na realidade três que formam um único Deus. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Vou tentar explicar de uma forma mais didática, ok? Quando você se refere a você mesmo você diz "eu" ou você diz "nós"? Claro que você diz "eu", apesar de você ser constituído de espírito, corpo e alma. Espírto, corpo e alma que formam um único ser, você. Deus precisava vir a Terra, mas mesmo vindo a Terra sempre está em todo lugar, portanto continuaria no Céu. Espírito Santo é o próprio Espírito de Deus, pois todos, inclusive Deus, possuímos espírito. Deus tinha que vir como homem para que se cumprisse a professia e nos livrar do pecado através da morte e ressurreiçao, pois vindo apenas como Deus não poderia morrer. Maria ficou grávida pelo poder do Espírito Santo e nasceu Jesus. Espírito Santo, como já mencionado, é o próprio Espírito de Deus, logo temos Deus Pai, Deus Filho (ele mesmo como homem) e Deus Espírito Santo.

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A verade dos fatos.

O CONCÍLIO DE NICÉIA


325 D.C – É realizado o Concílio de Nicéia, atual cidade de Iznik, província de Anatólia ( nome que se costuma dar à antiga Ásia Menor ), na Turquia asiática. A Turquia é um país euro-asiático, constituído por uma pequena parte européia, a Trácia, e uma grande parte asiática, a Anatólia. Este foi o primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, convocado pelo Imperador Flavius Valerius Constantinus ( 285 - 337 d.C ), filho de Constâncio I. Quando seu pai morreu em 306, Constantino passou a exercer autoridade suprema na Bretanha, Gália ( atual França ) e Espanha. Aos poucos, foi assumindo o controle de todo o Império Romano.

Desde Lúcio Domício Aureliano ( 270 - 275 d.C ), os Imperadores tinham abandonado a unidade religiosa, com a renúncia de Aureliano a seus "direitos divinos", em 274. Porém, Constantino, estadista sagaz que era, inverteu a política vigente, passando, da perseguição aos cristãos, à promoção do Cristianismo, vislumbrando a oportunidade de relançar, através da Igreja, a unidade religiosa do seu Império. Contudo, durante todo o seu regime, não abriu mão de sua condição de sumo-sacerdote do culto pagão ao "Sol Invictus". Tinha um conhecimento rudimentar da doutrina cristã e suas intervenções em matéria religiosa visavam, a princípio, fortalecer a monarquia do seu governo.

Na verdade, Constantino observara a coragem e determinação dos mártires cristãos durante as perseguições promovidas por Diocleciano, em 303. Sabia que, embora ainda fossem minoritários ( 10% da população do império ), os cristãos se concentravam nos grandes centros urbanos, principalmente em território inimigo. Foi uma jogada de mestre, do ponto de vista estratégico, fazer do Cristianismo a Religião Oficial do Império : Tomando os cristãos sob sua proteção, estabelecia a divisão no campo adversário. Em 325, já como soberano único, convocou mais de 300 bispos ao Concílio de Nicéia. Constantino visava dotar a Igreja de uma doutrina padrão, pois as divisões, dentro da nova religião que nascia, ameaçavam sua autoridade e domínio. Era necessário, portanto, um Concílio para dar nova estrutura aos seus poderes.

E o momento decisivo sobre a doutrina da Trindade ocorreu nesse Concílio. Trezentos Bispos se reúnem para decidir se Cristo era um ser criado ( doutrina de Arius ) ou não criado, e sim igual e eterno como Deus Seu Pai ( doutrina de Atanásio ). A igreja acabou rejeitando a idéia ariana de que Jesus era a primeira e mais nobre criatura de Deus, e afirmou que Ele era da mesma "substância" ou "essência" ( isto é, a mesma entidade existente ) do Pai. Assim, segundo a conclusão desse Concílio, há somente um Deus, não dois; a distância entre Pai e Filho está dentro da unidade divina, e o Filho é Deus no mesmo sentido em que o Pai o é. Dizendo que o Filho e o Pai são "de uma substância", e que o Filho é "gerado" ("único gerado, ou unigênito", João 1. 14,18; 3. 16,18, e notas ao texto da NVI), mas "não feito", o Credo Niceno, estabelece a Divindade do homem da Galiléia, embora essa conclusão não tenha sido unânime. Os Bispos que discordaram, foram simplesmente perseguidos e exilados.

Com a subida da Igreja ao poder, discussões doutrinárias passaram a ser tratadas como questões de Estado. E na controvérsia ariana, colocava-se um obstáculo grande à realização da idéia de Constantino de um Império universal que deveria ser alcançado com a uniformidade da adoração divina.

O Concílio foi aberto formalmente a 20 de maio, na estrutura central do palácio imperial, ocupando-se com discussões preparatórias na questão ariana, em que Arius, com alguns seguidores, em especial Eusébio, de Nicomédia ; Teógnis, de Nice, e Maris, de Chalcedon, parecem ter sido os principais líderes. Como era costume, os bispos orientais estavam em maioria. Na primeira linha de influência hierárquica estavam três arcebispos : Alexandre, de Alexandria ; Eustáquio, de Antioquia e Macário, de Jerusalém, bem como Eusébio, de Nicomédia e Eusébio, de Cesaréia. Entre os bispos encontravam-se Stratofilus, bispo de Pitiunt ( Bichvinta, reino de Egrisi ). O ocidente enviou não mais de cinco representantes na proporção relativa das províncias : Marcus, da Calabria ( Itália ) ; Cecilian, de Cartago ( África ) ; Hosius, de Córdova ( Espanha ) ; Nicasius, de Dijon ( França ) e Domnus, de Stridon ( Província do Danúbio ). Apenas 318 bispos compareceram, o que equivalia a apenas uns 18% de todos os bispos do Império. Dos 318, poucos eram da parte ocidental do domínio de Constantino, tornando a votação, no mínimo, tendenciosa. Assim, tendo os bispos orientais como maioria e a seu favor, Constantino aprovaria com facilidade, tudo aquilo que fosse do seu interesse.

As sessões regulares, no entanto, começaram somente com a chegada do Imperador. Após Constantino ter explicitamente ordenado o curso das negociações, ele confiou o controle dos procedimentos a uma comissão designada por ele mesmo, consistindo provavelmente nos participantes mais proeminentes desse corpo. O Imperador manipulou, pressionou e ameaçou os partícipes do Concílio para garantir que votariam no que ele acreditava, e não em algum consenso a que os bispos chegassem. Dois dos bispos que votaram a favor de Arius foram exilados e os escritos de Arius foram destruídos. Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos arianistas estaria sujeito à pena de morte.

Mas a decisão da Assembléia não foi unânime, e a influência do imperador era claramente evidente quando diversos bispos de Egito foram expulsos devido à sua oposição ao credo. Na realidade, as decisões de Nicéia foram fruto de uma minoria. Foram mal entendidas e até rejeitadas por muitos que não eram partidários de Ário. Posteriormente, 90 bispos elaboraram outro credo ( O "Credo da Dedicação" ) em, 341, para substituir o de Nicéia. (...) E em 357, um Concílio em Smirna adotou um credo autenticamente ariano.

Portanto, as orientações de Constantino nessa etapa foram decisivas para que que o Concílio promulgasse o credo de Nicéia, ou a Divindade de Cristo, em 19 de Junho de 325. E com isso, veio a conseqüente instituição da Santíssima Trindade e a mais discutida, ainda, a instituição do Espírito Santo, o que redundou em interpolações e cortes de textos sagrados, para se adaptar a Bíblia às decisões do conturbado Concílio e outros, como o de Constantinopla, em 38l, cujo objetivo foi confirmar as decisões daquele.

A concepção da Trindade, tão obscura, tão incompreensível, oferecia grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus Cristo um Deus. Conferia a Jesus, que ela chama seu fundador, um prestígio, uma autoridade, cujo esplendor recaia sobre a própria Igreja católica e assegurava o seu poder, exatamente como foi planejado por Constantino. Essa estratégia revela o segredo da adoção trinitária pelo concílio de Nicéia.

Os teólogos justificaram essa doutrina estranha da divinização de Jesus, colocando no Credo a seguinte expressão sobre Jesus Cristo : “Gerado, não criado”. Mas, se foi gerado, Cristo não existia antes de ser gerado pelo Pai. Logo, Ele não é Deus, pois Deus é eterno ! Espelhando bem os novos tempos, o Credo de Nicéia não fez qualquer referência aos ensinamentos de Jesus. Faltou nele um "Creio em seus ensinamentos", talvez porque já não interessassem tanto a uma religião agora sócia do poder Imperial Romano.

Mesmo com a adoção do Credo de Nicéia, os problemas continuaram e, em poucos anos, a facção arianista começou a recuperar o controle. Tornaram-se tão poderosos que Constantino os reabilitou e denunciou o grupo de Atanásio. Arius e os bispos que o apoiavam voltaram do exílio. Agora, Atanásio é que foi banido. Quando Constantino morreu ( depois de ser batizado por um bispo arianista ), seu filho restaurou a filosofia arianista e seus bispos e condenou o grupo de Atanásio.

Nos anos seguintes, a disputa política continuou, até que os arianistas abusaram de seu poder e foram derrubados. A controvérsia político/religiosa causou violência e morte generalizadas. Em 381 d.C, o imperador Teodósio ( um trinitarista ) convocou um concílio em Constantinopla. Apenas bispos trinitários foram convidados a participar. Cento e cinquenta bispos compareceram e votaram uma alteração no Credo de Nicéia para incluir o Espírito Santo como parte da divindade. A doutrina da Trindade era agora oficial para a Igreja e também para o Estado. Com a exclusiva participação dos citados bispos, a Trindade foi imposta a todos como "mais uma verdade teológica da igreja". E os bispos, que não apoiaram essa tese, foram expulsos da Igreja e excomungados.

Por volta do século IX, o credo já estava estabelecido na Espanha, França e Alemanha. Tinha levado séculos desde o tempo de Cristo para que a doutrina da Trindade "pegasse". A política do governo e da Igreja foram as razões que levaram a Trindade a existir e se tornar a doutrina oficial da Igreja. Como se pode observar, a doutrina trinitária resultou da mistura de fraude, política, um imperador pagão e facções em guerra que causaram mortes e derramamento de sangue.

As Igrejas Cristãs hoje em dia dizem que Constantino foi o primeiro Imperador Cristão, mas seu "cristianismo" tinha motivação apenas política. É altamente duvidoso que ele realmente aceitasse a Doutrina Cristã. Ele mandou matar um de seus filhos, além de um sobrinho, seu cunhado e possivelmente uma de suas esposas. Ele manteve seu título de alto sacerdote de uma religião pagã até o fim da vida e só foi batizado em seu leito de morte.



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OBS : Em 313 d.C., com o grande avanço da "Religião do Carpinteiro", o Imperador Constantino Magno enfrentava problemas com o povo romano e necessitava de uma nova Religião para controlar as massas. Aproveitando-se da grande difusão do Cristianismo, apoderou-se dessa Religião e modificou-a, conforme seus interesses. Alguns anos depois, em 325 D.C, no Concílio de Nicéia, é fundada, oficialmente, a Igreja Católica.

Portanto, a versão de que a igreja católica teria mais de 2.000 anos, servindo assim de mais um reforço para que autoridades católicas espalhassem aos quatro ventos que essa igreja teria sido fundada por Cristo, cai definitivamente por terra. Para maiores detalhes, sugiro a leitura de :

Tribuna da imprensa Online - Igreja Católica não tem 21 séculos e sim 18


Há que se ressaltar que, "Igreja" na época de Jesus, não era a "Igreja" que entendemos hoje, pois se lermos os Evangelhos duma ponta à outra veremos que a palavra «Igreja», no sentido que hoje lhe damos, nem sequer neles é mencionada exceto por aproximação e apenas três vezes em dois versículos no Evangelho de Mateus (Mt 16, 18 e Mt 18, 17), pois a palavra grega original, usada por Mateus, ekklêsia, significa simplesmente «assembleia de convocados», neste caso a comunidade dos seguidores da doutrina de Jesus, ou a sua reunião num local, geralmente em casas particulares onde se liam as cartas e as mensagens dos apóstolos. Sabemo-lo pelo testemunho de outros textos do Novo Testamento, já que os Evangelhos a esse respeito são omissos. Veja-se, por exemplo, a epístola aos Romanos (16, 5) onde Paulo cita o agrupamento (ekklêsia) que se reunia na residência dum casal de tecelões, Aquila e Priscila, ou a epístola a Filémon (1, 2) onde o mesmo Paulo saúda a ekklêsia que se reunia em casa do dito Filémon ; num dos casos, como lemos na epístola de Tiago (2, 2), essa congregação cristã é designada por «sinagoga». Nada disto tem a ver, portanto, com a imponente Igreja católica enquanto instituição formal estruturada e oficializada, sobretudo a partir do Concílio de Nícéia, presidido pelo Imperador Constantino, mais de 300 anos após a morte de Cristo.

Onde termina a IGREJA PRIMITIVA dos Atos dos Apóstolos e começa o Catolicismo Romano ?

Quando Roma tornou-se o famoso império mundial, assimilou no seu sistema os deuses e as religiões dos vários países pagãos que dominava. Com certeza, a Babilônia era a fonte do paganismo desses países, o que nos leva a constatar que a religião primitiva da Roma pagã não era outra senão o culto babilônico. No decorrer dos anos, os Líderes da época começaram a atribuir a si mesmos, o poder de "senhores do povo" de Deus, no lugar da Mensagem deixada por Cristo. Na época da Igreja Primitiva, os verdadeiros Cristãos eram jogados aos leões. Bastava se recusar a seguir os falsos ensinamentos e o castigo vinha a galope. O paganismo babilônico imperava a custa de vidas humanas.

No ano 323 d.C, o Imperador Constantino professou conversão ao Cristianismo. As ordens imperiais foram espalhadas por todo o império : As perseguições deveriam cessar ! Nesta época, a Igreja começou a receber grandes honrarias e poderes mundanos. Ao invés de ser separada do mundo, ela passou a ser parte ativa do sistema político que governava. Daí em diante, as misturas do paganismo com o Cristianismo foram crescendo, principalmente em Roma, dando origem ao Catolicismo Romano. O Concílio de Nicéia, na Ásia Menor, presidido por Constantino era composto pelos Bispos que eram nomeados pelo Imperador e por outros que eram nomeados por Líderes Religiosos das diversas comunidades. Tal Concílio consagrou oficialmente a designação "Católica" aplicada à Igreja organizada por Constantino : "Creio na igreja una, santa, católica e apostólica". Poderíamos até mesmo dizer que Constantino foi seu primeiro Papa. Como se vê claramente, a Igreja Católica não foi fundada por Pedro e está longe de ser a Igreja primitiva dos Apóstolos ...

Em resumo : Por influência dos imperadores Constantino e Teodósio, o Cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano e entrou no desvio. Institucionalizou-se; surgiu o profissionalismo religioso; práticas exteriores do paganismo foram assimiladas; criaram-se ritos e rezas, ofícios e oficiantes. Toda uma estrutura teológica foi montada para atender às pretensões absolutistas da casta sacerdotal dominante, que se impunha aos fiéis com a draconiana afirmação : "Fora da Igreja não há salvação".

Além disso, Constantino queria um Império unido e forte, sem dissensões. Para manter o seu domínio sobre os homens e estabelecer a ditadura religiosa, as autoridades eclesiásticas romanas deviam manter a ignorância sobre as filosofias e Escrituras. A mesma Bíblia devia ser diferente. Devia exaltar Deus e os Patriarcas mas, também, um Deus forte, para se opor ao próprio Jeová dos Hebreus, ao Buda, aos poderosos deuses do Olimpo. Era necessário trazer a Divindade Arcaica Oriental, misturada às fábulas com as antigas histórias de Moisés, Elias, Isaías, etc, onde colocaram Jesus, não mais como Messias ou Cristo, mas, maliciosamente, colocaram Jesus parafraseado de divindade no lugar de Jezeu Cristna, a segunda pessoa da trindade arcaica do Hinduísmo.

Nesse quadro de ambições e privilégios, não havia lugar para uma doutrina que exalta a responsabilidade individual e ensina que o nosso futuro está condicionado ao empenho da renovação interior e não à simples adesão e submissão incondicional aos Dogmas de uma Igreja, os quais, para uma perfeita assimilação, era necessário admitir a quintessência da teologia : "Credo quia absurdum", ou seja, "Acredito mesmo que seja absurdo", criada por Tertuliano ( 155-220 ), apologista Cristão.

Disso tudo deveria nascer uma religião forte como servia ao império romano. Vieram ainda a ser criados os simbolismos da Sagrada Família e de todos os Santos, mas as verdades do real cânone do Novo Testamento e parte das Sagradas Escrituras deviam ser suprimidas ou ocultadas, inclusive as obras de Sócrates e outras Filosofias contrárias aos interesses da Igreja que nascia.

Esta lógica foi adotada pelas forças clericais mancomunadas com a política romana, que precisava desta religião, forte o bastante, para impor-se aos povos conquistados e reprimidos por Roma, para assegurar-se nas regiões invadidas, onde dominava as terras, mas não o espírito dos povos ocupados. Em troca, o Cristianismo ganhava a Universalidade, pois queria se tornar "A Religião Imperial Católica Apostólica Romana", a Toda Poderosa, que vinha a ser sustentada pela força, ao mesmo tempo que simulava a graça divina, recomendando o arrependimento e perdão, mas que na prática, derrotava seus inimigos a golpes de espada.

Então não era da tolerância pregada pelo Cristianismo que Constantino precisava, mas de uma religião autoritária, rígida, sem evasivas, de longo alcance, com raízes profundas no passado e uma promessa inflexível no futuro, estabelecida mediante poderes, leis e costumes terrenos.

Para isso, Constantino devia adaptar a Religião do Carpiteiro, dando-lhes origens divinas e assim impressionaria mais o povo o qual sabendo que Jesus era reconhecido como o próprio Deus na nova religião que nascia, haveria facilidade de impor a sua estrutura hierárquica, seu regime monárquico imperial, e assim os seus poderes ganhariam amplos limites, quase inatingíveis.

Quando Constantino morreu, em 337, foi batizado e enterrado na consideração de que ele se tornara um décimo terceiro Apóstolo, e na iconografia eclesiástica veio a ser representado recebendo a coroa das mão de Deus.


Fontes :

* http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeiro_Conc%C3%ADlio_de_Niceia

* UMA HISTÓRIA DA LEITURA, de Alberto Manguel, COMPANHIA DAS LETRAS – SP, 1997 ( páginas 228 a 237 ) da "LEITURA DO FUTURO" - Editora Schwarcz Ltda.

* Documentos da Igreja Cristã, de H. Bettenson

* História da Igreja Católica, Philip Hughes, Dominus

* História Universal, H.G. Wells

* Instituto São Thomás de Aquino - Fundação para Ciência e Tecnologia - Dominicanos de Lisboa - Portugal.

* http://www.angelfire.com/on2/mikemcclellan/baf.html

* http://www.anzwers.org/free/jesuschrist/index.html










OS LIVROS RETIRADOS DAS SANTAS ESCRITURAS


Os quatro evangelhos canônicos, que se acredita terem sido inspirados pelo Espírito Santo, não eram aceitos como tais no início da Igreja. O bispo de Lyon, Irineu, explica os pitorescos critérios utilizados na escolha dos quatro evangelhos ( reparem na fragilidade dos argumentos...) : "O evangelho é a coluna da Igreja, a Igreja está espalhada por todo o mundo, o mundo tem quatro regiões, e convém, portanto, que haja também quatro evangelhos. O evangelho é o sopro do vento divino da vida para os homens, e pois, como há quatro ventos cardiais, daí a necessidade de quatro evangelhos. (...) O Verbo criador do Universo reina e brilha sobre os querubins, os querubins têm quatro formas, eis porque o Verbo nos obsequiou com quatro evangelhos”.

As versões sobre como se deu a separação entre os evangelhos canônicos e apócrifos, durante o Concílio de Nicéia no ano 325 D.C, são também singulares. Uma das versões diz que estando os bispos em oração, os evangelhos inspirados foram depositar-se no altar por si só !!! ... Uma outra versão informa que todos os evangelhos foram colocados por sobre o altar, e os apócrifos caíram no chão... Uma terceira versão afirma que o Espírito Santo entrou no recinto do Concílio em forma de pomba, através de uma vidraça (sem quebrá-la), e foi pousando no ombro direito de cada bispo, cochichando nos ouvidos deles os evangelhos inspirados...

A Bíblia como um todo, aliás, não apresentou sempre a forma como é hoje conhecida. Vários textos, chamados hoje de "apócrifos", figuravam anteriormente na Bíblia, em contraposição aos canônicos reconhecidos pela Igreja.

Segundo o Dicionário Aurélio, o termo Apócrifos significa :

" Entre os Católicos, Apócrifos eram os Escritos de assuntos sagrados que não foram incluídos pela Igreja no Cânon das Escrituras autênticas e divinamente inspiradas ". ( destaque nosso ).

Obs - Note que o próprio Dicionário Aurélio registra a expressão : " divinamente inspiradas ". Por que será ?



Maria Helena de Oliveira Tricca, compiladora da obra Apócrifos, Os Proscritos da Bíblia, diz: "Muitos dos chamados textos apócrifos já fizeram parte da Bíblia, mas ao longo dos sucessivos concílios acabaram sendo eliminados. Houve os que depois viriam a ser beneficiados por uma reconsideração e tornariam a partilhar a Bíblia. Exemplos : O Livro da Sabedoria, atribuído a Salomão, o Eclesiástico ou Sirac, as Odes de Salomão, o Tobit ou Livro de Tobias, o Livro dos Macabeus e outros mais. A maioria ficou definitivamente fora, como o famoso Livro de Enoch, o Livro da Ascensão de Isaías e os Livros III e IV dos Macabeus."

Perguntamos : Quais foram os motivos para excluir esses Livros das Santas Escrituras definitivamente ? Será que os "santos padres" daquela época se achavam superiores aos Apóstolos e mártires que vivenciaram de perto os acontecimentos relacionados a Cristo e ao judaísmo ? De que poder esses mesmos "santos padres" se revestiam a ponto de afirmarem que alguns Textos Evangélicos não representavam os ensinamentos e a Palavra de Deus ?

Visando maiores esclarecimentos, sugerimos, para aqueles que desejam aprofundar-se no assunto, uma leitura dos Livros que tratam com mais detalhe esse tema, os quais podem ser encontrados no Site Submarino :


Parte 1 e Parte 2

Existem mais de 60 evangelhos apócrifos, como os de Tomé, de Pedro, de Felipe, de Tiago, dos Hebreus, dos Nazarenos, dos Doze, dos Setenta, etc. Foi um bispo quem escolheu, no século IV, os 27 textos do atual Novo Testamento. Em relação ao Antigo Testamento, o problema só foi definitivamente resolvido no ano de 1546, durante o Concílio de Trento. Depois de muita controvérsia, acalorados debates e até luta física entre os participantes, o Concílio decretou que os livros 1 e 2 de Esdras e a Oração de Manassés sairiam da Bíblia. Em compensação, alguns textos apócrifos foram incorporados aos livros canônicos, como o livro de Judite (acrescido em Ester), os livros do Dragão e do Cântico dos Três Santos Filhos (acrescidos em Daniel) e o livro de Baruque (contendo a Epístola de Jeremias).

Os católicos não foram unânimes quanto a inspiração divina nesses livros. No Concílio de Trento houve luta corporal quando este assunto foi tratado. Lorraine Boetner ( in Catolicismo Romano ) cita o seguinte : " O papa Gregório, o grande, declarou que primeiro Macabeus, um livro apócrifo, não é canônico. O cardeal Ximenes, em sua Bíblia poliglota, exatamente antes do Concílio de Trento, exclui os apócrifos e sua obra foi aprovada pelo papa Leão X. Será que estes papas se enganaram ? Se eles estavam certos, a decisão do Concílio de Trento estava errada. Se eles estavam errados, onde fica a infalibilidade do papa como mestre da doutrina ? "

No inicio do cristianismo, os evangelhos eram em número de 315, sendo posteriormente reduzidos para 4, no Concílio de Nicéia. Tal número, indica perfeitamente as várias formas de interpretação local das crenças religiosas da orla mediterrânea, acerca da idéia messiânica lançada pelos sacerdotes judeus. Sem dúvida, este fato deve ter levado Irineu a escrever o seguinte: " Há apenas 4 Evangelhos, nem mais um, nem menos um, e que só pessoas de espírito leviano, os ignorantes e os insolentes é que andam falseando a verdade ". Disse isso, mesmo diante dos acontecimentos acima relatados e que eram de conhecimento geral.

Havia então, os Evangelhos dos Naziazenos, dos Judeus, dos Egípcios, dos Ebionistas, o de Pedro, o de Barnabé, entre outros, 03 dos quais foram queimados, restando apenas os 4 “sorteados” e oficializados no Concílio de Nicéia.

Celso, erudito romano, contemporâneo de Irineu, entre os anos 170 e 180 D.C, disse: "Certos fiéis modificaram o primeiro texto dos Evangelhos, três, quatro e mais vezes, para poder assim subtraí-los às refutações".

Foi necessária uma cuidadosa triagem de todos eles, visando retirar as divergências mais acentuadas, sendo adotada a de Hesíquies, de Alexandria; e de Pânfilo, de Cesaréía e a de Luciano, de Antióquia. Mesmo assim, só na de Luciano existem 3.500 passagens redigidas diferentemente. Disso resulta que, mesmo para os Padres da Igreja, os Evangelhos não são fonte segura e original.

Os Evangelhos que trazem a palavra "segundo", que em grego é "cata", não vieram diretamente dos pretensos evangelistas.

A discutível origem dos Evangelhos, explica porque os documentos mais antigos não fazem referência à vida terrena de Jesus.

Não é razoável supor que uma "palavra divina" possa ser alterada assim tão fácil e impunemente por mãos humanas. Que fique na dependência de ser julgada boa ou má por juízes e dignitários eclesiásticos.

Só me foi possível escrever este livro através dos conceitos que pude assimilar da obra Na Luz da Verdade, a Mensagem do Graal de Abdruschin. ( Segundo o Dic. Aurélio: Graal – Vaso Santo de esmeralda que segundo a tradição corrente nos romances de cavalaria, teria servido a Cristo na última Ceia, e no qual José de Arimateia haveria recolhido o Sangue que de Cristo jorrou quando o centurião lhe desferiu a lança ).


A maior parte do texto acima é de autoria de :

Roberto C. P. Júnior
Escritor
março de 1997

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Pedro em Roma (2)



Aqui estão as provas da vida e da morte de Pedro em Roma. O fato é confirmado por dois escritores do séc II (S. Ireneu) e sec IV (Tertuliano, na obra História Eclesiástica, Ed. Paulus)

Santo Ireneu (†202): (desde o primeiro século, a Igreja de Roma tinha a primazia do ensino). “Porque é com essa Igreja (de Roma), em razão de sua mais poderosa autoridade de fundação, que deve necessariamente concordar toda igreja, isto é, que devem concordar os fiéis procedentes de qualquer parte, ela, na qual sempre, em benefício dos que procedem de toda parte, se conservou a tradição que vem dos apóstolos” (Contra as Heresias).

Eusébio de Cesaréia (†340):

“Pedro e Paulo, indo para a Itália, vos transmitiram os mesmos ensinamentos e por fim sofreram o martírio simultaneamente” (História Eclesiástica, II 25,8)

Santo Ireneu apresenta a primeira lista dos doze primeiros Papas da Igreja, até o décimo segundo, até Eleutério, Papa do seu tempo. Todos sucessores de Pedro, em Roma:

“Ora, dado que seria demasiado longo... enumerar as sucessões de todas as Igrejas, tomaremos a máxima igreja, muito antiga e conhecida de todos, fundada e construída em Roma pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo; mostraremos que a tradição que ela tem, dos mesmos, e a fé que anunciou aos homens, chegaram até nós por sucessões de bispos”...

“Porque, é com esta Igreja (de Roma), em razão de sua mais poderosa autoridade de fundação, que deve necessariamente concordar toda a Igreja... na qual sempre se conservou a tradição que vem dos Apóstolos”.

“Depois de ter fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado... Anacleto o sucedeu. Depois, em terceiro lugar a partir dos apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado. Ele tinha visto os próprios apóstolos, estivera em relação com eles; sua pregação ressoava-lhe aos ouvidos; sua tradição estava presente ainda aos seus olhos. Aliás ele não estava só, havia em sua época muitos homens instruídos pelos apóstolos...

A Clemente sucede Evaristo; a Evaristo, Alexandre; em seguida... Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aníceto, Sotero... Eleutério em 12º lugar a partir dos Apóstolos”.
7 “É nesta ordem e sucessão que a tradição dada à Igreja desde os apóstolos, e a pregação da verdade, chegaram até nós. E está aí uma prova muito completa de que é única e sempre a mesma, a fé vivificadora que, na Igreja desde os Apóstolos, se conservou até o dia de hoje e foi transmitida na verdade” (III, 2,2).

O TÚMULO DE PEDRO ENCONTRADO EM ROMA

São Pedro foi martirizado e sepultado em Roma. As escavações realizadas sob a basílica do Vaticano nos últimos decênios, bem como os escritores antigos, confirmam isto. Os arqueólogos descobriam um túmulo cristão sob a basílica vaticana, em meio a túmulos pagãos. Esse túmulo cristão tinha acesso por uma via que devia ser muito frequentada. Foram encontradas junto a esse túmulo numerosas inscrições a carvão (graffiti), fazendo menção ao Apóstolo Pedro. Encontraram ossos de um indivíduo de 60 a 70 anos, que é muito provavelmente de S. Pedro. Quando Pedro morreu, no ano 67, os cristãos ainda não tinham cemitérios próprios, e por isso o enterraram em um cemitério pagão. Foi o imperador romano Constantino, filho de Santa Helena, que convertido ao Cristianismo, construiu a basílica de S. Pedro, no século IV. É importante notar que ele podia ter escolhido, ao lado do local onde a Basílica foi construída, um terreno mais adequado, plano e grande: o chamado “Circo de Nero”. Ao contrário, mandou edificar a Basílica sobre um terreno fortemente inclinado e já ocupado por um cemitério, que era um local respeitado pelos romanos. Se Constantino preferiu o local acidentado e "desrespeitou" o cemitério, construindo sobre ele a Basílica, é porque deve ter tido uma razão forte, exatamente a presença do túmulo de São Pedro ali.

Por todas essas razões os Bispos de Roma são os sucessores de Pedro, com jurisdição sobre toda a Igreja. A Igreja Católica é chamada também de Romana por ter a sua sede, a Santa Sé, em Roma. Esta denominação, embora não seja uma exigência doutrinária, não é gratuita. Firmando a sede da Sua Igreja exatamente no coração do Império Romano, aquele que quis destruir a Igreja, que sacrificou milhares de mártires, com isto Cristo mostrou ao mundo que a Sua Igreja é invencível, e que jamais os poderes do inferno a vencerão. Sua promessa se cumpre. O império romano, talvez o maior império que a humanidade já conheceu, não conseguiu vencer aqueles Doze homens simples da Galiléia; ao contrário, foi "engolido" pelo cristianismo. No ano 313 o imperador Constantino, filho de Santa Helena, assinava o Edito de Milão, que acabava com a perseguição contra os cristãos em todo o império. Pouco tempo depois, o imperador Teodósio oficializava o cristianismo como a religião oficial do império...



Data Publicação: 08/01/2008




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© Editora Cléofas - Prof. Felipe Aquino

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Cristianismo e Espiritismo
José Reis Chaves

Duas matérias da revista protestante Ultimato Nº 274, de janeiro-fevereiro de 2002, motivaram-nos a escrever esta em defesa de verdades espíritas.

Às vezes, é muito fácil redigirmos um texto em defesa de determinados princípios, mas não é fácil convencermos os nossos leitores, quando nós mesmos estamos em dúvidas quanto às verdades, das quais nos propusemos fazer uma apologia, ou então, quando não conhecemos bem o outro lado da moeda, ou seja, a questão contra a qual nos colocamos. E isso sempre aconteceu e acontece com quem se propõe a condenar o Espiritismo, como, inclusive nós já tivemos oportunidade de passar também por esse tipo de experiência.

É que o Espiritismo possui verdades inquestionáveis. Não foi, pois, por acaso, que a Igreja afirmou, logo após haver kardec publicado os seus primeiros livros, que o Espiritismo deveria ser atacado com todas as armas – falsas e sujas, também? - pois que ou a Igreja acabaria com ele, ou ele acabaria com ela.

Ledo engano da Igreja, naquela época, pois, desde Kardec, nenhum espírita jamais pensou em destruir a Igreja. Kardec chegou mesmo a afirmar que não se deveria levar a Doutrina Espírita para os padres e outras pessoas que já eram sólidas em sua crença em Deus e na existência dos espíritos, mas apenas para os materialistas o Espiritismo deveria ser pregado.

E há uma frase espírita muito conhecida: “O Espiritismo não é a religião do futuro, mas, o futuro de toda religião”. Isto porque todas as religiões têm alguma coisa a ver com ele – crença em Deus, na imortalidade dos espíritos, no contato com eles, na mediunidade, na reencarnação e na necessidade de seguirmos princípios morais que aprimoram nosso relacionamento com Deus e nossos semelhantes -, o qual, pois, dá as mãos a todas as religiões, e jamais se posicionando contra nenhuma delas. E todas elas, mais hoje, mais amanhã, chegarão a descobrir os seus fenômenos e as suas verdades.

Segundo o autor de um dos textos em apreço da Revista Ultimato, o Espiritismo é a religião que mais títulos honrosos dá a Jesus. Aliás, o grande biblista francês, Pe- François Brune, reencarnacionista e representante do Vaticano para Transcomunicação Instrumental (contato com os espíritos via eletrônica), disse que gostaria de que os católicos amassem a Jesus como O amam os espíritas. Portanto, o articulista está mais do que certo, quando reconhece o carinho com que os espíritas tratam Jesus.Mas afirma ele que os Espíritas não reconhecem a Divindade de Jesus. Mas isso não é novidade, pois há dois mil anos que os cristãos brigam por causa disso. E, entre outras coisas, cita São Paulo que advertiu os signatários de uma de suas Epístolas para que não aceitassem outro Evangelho, senão aquele que ele pregava. Mas sabemos hoje que os ensinamentos paulinos, às vezes, entram em choque contra os dos Evangelhos. E isso se explica pelo fato de São Paulo não ter sido um apóstolo que conviveu diretamente com Jesus, como aconteceu com a maioria dos outros apóstolos, entre os quais estão quase todos os demais autores do Novo Testamento. E isso não nos é uma coisa estranha, pois São Paulo teve sérias polêmicas, também, com São Pedro, com relação à Circuncisão.

Mas, deixando de lado essas pequenas divergências, é notório que o Espiritismo segue o Cristianismo, mas o Cristianismo Primitivo, ou seja, aquele anterior ao tumultuado Concílio de Nicéia (325) e outros que começaram a instituir os Dogmas da Igreja, entre eles o da Santíssima Trindade e, conseqüentemente, o do Espírito Santo e o da Divindade de Jesus, que não existiam entre as primeiras gerações das comunidades cristãs, as quais não conheciam sequer o Espírito Santo, a não ser como um espírito humano. E do citado Concílio o Bispo de Roma não teve uma participação direta, pois que à frente de tudo estava o Imperador Constantino. Ademais, o papa não era ainda bem um papa, porque esse privilégio de o Bispo da Capital do Império Romano ser o bispo mais importante de todos, a ponto de mandar nos outros todos, estava ainda muito no início. Por isso foi também o próprio Imperador Constantino quem convocou e presidiu esse Concílio.

E, ainda, sobre o Espírito Santo, poucas pessoas sabem que, no original grego, fala-se em “um Espírito Santo” (Pneuma Hagion). Como no Grego não há artigo indefinido “um”, traduzindo-se essa expressão Pneuma Hagion para outras línguas que possuem o artigo indefinido, como o Português, ele deve aparecer na tradução, sob pena de ficar errada a tradução. Só se poderia colocar nas traduções o artigo definido “o” (ho, em Grego), se ele tivesse sido empregado pelos autores sagrados no texto original, que ficaria assim: “ho Pneuma Hagion” .

Por outro lado, o Velho Testamento não fala em Santíssima Trindade nem em Espírito Santo, a não ser quando se refere ao espírito santificado de alguém, só nos ensinando que havia um Deus único (para mais detalhes sobre isso, consultem o livro de nossa modesta autoria: “A Face Oculta das Religiões”, no capítulo sobre a Santíssima Trindade, Ed.Martin Claret,SP, 2000).

Isso explica por que os cristãos dos primórdios do Cristianismo não conheciam a Santíssima Trindade, o Espírito Santo nem a Divindade de Jesus. O Espírito Santo, sim, era conhecido, mas, como vimos, sob a forma de “um” Espírito Santo, ou seja, o espírito encarnado ou desencarnado, mas jamais como sendo a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, de que nem sequer se ouvia falar. Foi por isso que São Paulo disse que somos templos de um (como está no original grego) Espírito Santo.

Já a Divindade de Jesus foi aprovada no Concílio de Nicéia (325) por um voto, apenas, de diferença, apesar da pressão do Imperador Constantino, com ameaças de punições, como o exílio no deserto, para os que votassem contra a proclamação da Divindade de Jesus, que, até então, só era aceita por uma minoria da Igreja. O famoso e respeitado teólogo Ário era o líder dos contrários à instituição do Dogma da Divindade de Jesus, o qual contava com o apoio de mais de 300 bispos do mundo até então cristão.

Ninguém nega que hoje se sabe mais Bíblia do que nos tempos passados.E é por isso que o Espiritismo, com a ajuda de espíritos mais evoluídos, descobriu as verdades do Cristianismo Primitivo, as quais se identificam plenamente com a essência dos Evangelhos, pois que eram os primeiros cristãos aquelas pessoas que mais ligadas estavam aos autênticos ensinamentos de Jesus, ensinamentos esses que lhes chegaram por intermédio dos próprios apóstolos e primeiros discípulos de Jesus.

Dissemos que o Cristianismo Primitivo era autêntico. Isso porque ele ainda não havia sido adulterado pelos teólogos, os quais acabaram por dividi-lo, ao longo dos séculos, em várias igrejas, sem contar as vítimas que foram sacrificadas, inclusive com mortes com requintes de crueldade, de que são exemplos as que ocorreram nas fogueiras da Inquisição.

Perguntamos, pois, ao articulista quem está seguindo um Evangelho diferente do ensinado por Paulo, que se tinha algumas divergências com os outros apóstolos, pelo menos, como todos o sabemos, primou pela caridade em toda a acepção da palavra?

Os espíritas seguem uma interpretação moderna, racional, da Bíblia. E é por isso que estão mais ligados ao Cristianismo Primitivo que é, como vimos, o verdadeiro Cristianismo. Porque não aceitam todos os Dogmas da Igreja, são considerados hereges. Mas sempre houve cristãos hereges.Ademais, Jesus não criou nenhum dogma. E disse que seus discípulos seriam conhecidos pelo que eles fizerem, isto é, pela prática do amor, conforme ao Novo Mandamento que Ele nos trouxe do Pai, ou seja, para que nos amássemos uns aos outros como Ele nos amou.

Foi também Jesus quem disse que ninguém deixará de pagar até o último centavo, o que quer dizer que somos nós mesmos é que temos de pagar os nossos pecados, mas quer dizer mais, que pago o último centavo, o pecador estará quite, não tendo nada mais que pagar, mesmo porque isso seria injusto, e Deus jamais cometeria uma injustiça.

Com todo o respeito que temos para com o sangue derramado de Jesus, o que não foi em vão, já que Ele se sujeitou a isso para nos trazer a Boa Nova, a Mensagem de Amor do Pai para nós, não temos dúvidas em afirmar que não é bem esse Sangue derramado Dele que nos redime. Se fosse assim, não teríamos que pagar nem o primeiro nem o último centavo. Ademais, Ele afirmou que a cada um será dado segundo suas obras. E, por obras , devemos entender as boas e as más. Estas, com peso maior, nos levarão à condenação. Mas, se pesarem mais as boas, estaremos salvos. Essa explicação dispensa mais comentários. Mas somente queremos acentuar que, se fosse mesmo o sacrifício de Jesus que nos redimisse, não haveria necessidade de seguirmos os seus ensinamentos evangélicos. E, por outro lado, teríamos até que aplaudir os judeus e os romanos que O crucificaram, pois seria graças ao crime deles que ganharíamos a felicidade eterna. E será que Deus exigiu esse monstruoso crime para nos perdoar?Um pecado maior redime outro pecado menor? E que não venham com a lenga-lenga dizendo que se trata de um mistério de Deus, pois é mistério criado pelos teólogos.

Quanto aos espíritos comunicantes que, segundo o autor, são todos maus, isso não é verdade. A Bíblia nos mostra que há os impuros,sim, mas que há também os bons e os iluminados, por exemplo, os anjos que, segundo o grande teólogo francês citado acima, o Pe- François Brune, são espíritos de luz de pessoas falecidas. Em outras palavras, são os Espíritos Santos (santificados) das pessoas que já viveram aqui na Terra ou em outros mundos. E São Paulo chega a dizer que há pessoas que têm o dom de discernir espíritos. E, também, São João, na sua primeira Carta, fala que devemos examinar os espíritos, para sabermos se são bons ou maus. Disso se infere que, se fosse o Espírito Santo (Terceira Pessoa da Santíssima Trindade),que baixasse nos cristãos, nunca haveria necessidade de exame, podendo-se concluir, pois que tanto pode vir um bom espírito (santo,santificado) ou um pertubado, galhofeiro ou trevoso. E o Espiritismo sabe bem dessas coisas do ponto de vista bíblico, filosófico, científico e de modo inteligente e racional, sem mistérios e sem maluquices de teólogos que andam meio perdidos com os dogmas instituídos por seus colegas medievais.

E Santo Agostinho, que viveu também bem próximo dos primeiros séculos do Cristianismo Primitivo, comunicava-se com espíritos dos mortos, sendo um exemplo disso o contato que teve com sua mãe, já falecida, Santa Mônica. E no seu livro “De Cura Pro Mortuis” (Tratado dos Mortos), ele diz que os espíritos dos mortos podem trazer conhecimentos para nós.

E a respeito da reencarnação, os grandes teólogos do Cristianismo Primitivo aceitavam-na, entre eles Orígenes, São Clemente de Alexandria, Panteno (discípulo direto de São Paulo) e o Papa São Gregório Magno (para maiores detalhes, vejam o nosso livro “A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência), Ed. Martin Claret,SP).

Quanto à Parábola do Rico Avarento, o Epulão, e o Pobre Lázaro, ela não pode ser interpretada como sendo contrária à reencarnação. Além de se tratar de uma parábola e não de um fato real, pelo contrário, ela sugere a idéia vaga, é verdade, da reencarnação, pois, se Jesus, nesta história, coloca, com naturalidade, o Epulão querendo voltar à Terra, é porque isso era considerado uma coisa normal entre os judeus. E Ele não deu como sendo causa da não permissão do rico avarento ressuscitar (reencanar) na Terra a impossibilidade da reencarnação. E é fácil entendermos que a causa é outra. De fato, se isso –lhe fosse permitido, seria dado aos seus parentes um privilégio muito grande, não dado às outras pessoas, privilégio este que contrastaria com o princípio de Deus não fazer acepção de pessoas.

Os espíritas defendem o princípio de que a Bíblia não deve ser interpretada cegamente, mas, de modo racional, como o era no Cristianismo Primitivo, em que não havia a influência das complicações teológicas.

E, no tocante à Divindade de Jesus, os espíritas seguem o próprio Jesus que nunca se proclamou ser Deus, mas, tão-somente, Filho de Deus.Ora, todos somos também filhos de Deus. E todos, igualmente, podemos ser um com Jesus e o Pai, como Ele nos ensinou. E a prova de que Jesus não é mesmo Deus é que a Bíblia nos apresenta Jesus, várias vezes, orando a Deus, ao Pai, mas nunca ela nos apresenta o Pai orando para Jesus.

Acrescente-se a tudo isso o fato de que, enquanto que os líderes das igrejas cristãs vivem de sua religião, os líderes espíritas vivem para a sua religião!

E, por fim, ainda mais uma vez, perguntamos ao articulista quem é que está deixando de seguir o Evangelho de Jesus, do qual São Paulo queria ser, de coração, o seu maior divulgador, e para o que estava disposto a dar até sua própria vida?

Mas, um dia, todos chegaremos ao Pai, pois Ele quer que todos nos salvemos – e quem e o que poderão contra a sua vontade? -, por isso Ele nos fez imortais, e para fazer funcionarem a sua Misericórdia e o seu Amor, deu-nos a eternidade, um tempo sem fim, pois, para que todos possamos voltar para Ele!

José Reis Chaves (BH, MG), palestrante, radialista, professor de Português e Literatura, formado na PUC-Minas, e autor dos livros, entre outros, “A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência”, “A Face Oculta das Religiões” e “Quando Chega a Verdade”, Ed. Martin Claret,SP.

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Caros senhores, não tenho a intenção de converter ninguém ao Espiritismo, assim como não me convencerão a aceitar tudo o que escrevem. Quero dizer que já fui católico. Em minha família existem evangélicos: minha mulher, sogra, sogro e cunhados. Respeito-os em seus cultos mesmo não concordando com seus dogmas. Evito o embate direto para evitar discórdias e discussões que não levam a nada. Tenho o seguinte lema: religião não se impõe se aceita ou não. Ninguém é o dono da verdade. Mas, creio que a racionalidade deve prevalecer levando-se em conta o livre arbítrio que Deus nos deu. Por fim, a respeito da discussão sobre a Santíssima Trindade trago aqui a este iluminado Portal um artigo de Paulo da Silva Neto Sobrinho um eminente estudioso do Espiritismo que traduz em poucas palavras o que nós Espíritas entendemos sobre o assunto em tela. Mesmo não sendo católico entendo que este site é de luz, pois mesmo com as controvérsias leva a palavra de Jesus tão importante nos dias de hoje e sempre. Fiquem com Deus.

"Jesus não é Deus ?

Entre vários atributos que caracterizam a divindade, encontramos a imutabilidade, o que significa que Deus não muda nunca. Entendimento fácil de assimilar, uma vez que se Deus mudar de atitude ou algo que tenha feito, Ele não teria agido com perfeição, o que seria contrário a essa sua natureza. O fato de Deus ter poder para mudar não implica que irá agir dessa forma, pois acima disso está a sua perfeição e só muda quem não fez o que queria ou o que fez não tenha ficado a contento.

Atribuem a Jesus o status de ser o próprio Deus encarnado aqui na Terra, apesar Dele, segundo Davi, não caber no templo (1Rs 8,27), coube dentro de um corpo humano, mas deixemos à vontade os que acreditam nisso.

Segundo uma passagem do Evangelho Jesus teria dito “não vim destruir a Lei, mas cumpri-la” (Mt 5,17), mas será que agiu mesmo dessa forma? Vejamos que em Lv 20,10 se ordena que sejam punidos com a morte os que cometessem adultério, mas ao apresentarem a Jesus uma mulher surpreendida em adultério questionando-O se deveriam apedrejá-la como manda essa Lei, responde: “aquele que estive sem pecado atire a primeira pedra” (Jo 8,7), numa evidente sugestão que não se deveria cumprir a Lei. Mas se antes havia dito que teria vindo para cumprir a Lei, como é que ficamos diante dessa contradição?

Pior ainda quando aceitamos que Jesus seja mesmo o próprio Deus, pois aí Ele está mudando de atitude apesar de que teria sido dito que “... eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3,6). Sem falar que Jesus, em várias oportunidades, se colocou com vindo para cumprir a vontade daquele que o enviou, deixando bem claro sua completa submissão à vontade de Deus, sempre se colocou com um enviado, demonstrando uma subordinação a alguém que Lhe era superior.

Mas para explicar essa questão temos que nos debruçar nos registros históricos para percebermos que a divinização de Jesus foi uma necessidade teológica, uma vez que, copiando dos povos pagãos, decidiram que Deus também teria que ser representado por uma trindade. Absurdo teológico que, por mais que queiram, não conseguem dar a isso uma única explicação lógica e razoável, partindo para o “mistério”, como a famosa “saída pela tangente”.

Não estamos aqui para “destronar” a Jesus, mas para restabelecer o lugar em que Ele sempre se colocou, pois assim é mais fácil ou melhor é possível seguirmos seu exemplo, caso contrário, ficaremos numa situação insustentável de não termos as mínimas condições de fazer o que Ele mesmo afirma podermos fazer: “tudo o que eu fiz vós podeis fazer e até maiores” (Jo 14,12).

“Meu Pai e vosso Pai”, “meu Deus e vosso Deus” são expressões que usou o tempo todo, o que significa que nos têm no mesmo plano que Ele, ou seja, somos irmãos. A Ele devemos recorrer, como o nosso irmão maior, quando as dificuldades da vida nos pesam nos ombros. “Vinde a mim, vós que estais cansados e sobrecarregados, pois eu vos aliviarei” (Mt 11,28) é sua promessa a todos nós, espíritos em evolução, independente de qual rótulo religioso possamos estar abrigados.

Aos que acreditam nas inúmeras profecias a respeito de Jesus, contidas no Antigo Testamento, fica mais difícil argumentar, pois elas dão conta que Deus enviaria um mensageiro, não que viria pessoalmente à Terra.

Obviamente esses nossos argumentos podem não convencer a todos, mas os que, porventura, não vierem a aceitá-los, que, então, nos demonstrem com boa lógica que isso não é absurdo: Deus desce do céu, se encarna como Jesus, que morre na cruz como vítima oferecida a Ele mesmo para expiação de nossos pecados (sic).

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Mai/2005.

Responder esta

Debate entre um espírita e um católico através de e-mails que responde de maneira clara todas as controvésias. É uma vedadeira aula de Luz.

Para: pauloneto@xx.com.br
Assunto: Comunicação com Mortos na Bíblia

Caro Sr. Paulo Neto,

Outro dia pesquisando sobre um tema religioso, cliquei num link para o seu site, muito interessante, diga-se.

Resposta: Sxxxxx como você não disse qual site, ficamos na dúvida, pois vários sites possuem textos de nossa autoria, assim ficamos sem poder saber a qual texto se refere, já que particularmente não temos nenhum site.


Remetente:
Também chamou minha atenção sua citação de I Samuel, capítulo 28 para defender a tese da comunicação entre mortos e vivos. No texto, versículos 7-15, vemos que embora Saul tenha ido consultar uma necromante, foi claramente repreendido pelo próprio espírito que se fazia passar por Samuel. Ou alguém realmente acredita que o espírito de um profeta viria atender a invocação de uma necromante, quando o próprio Samuel, como profeta do Senhor, orientou Saul a banir aquela prática? Se fosse verdadeiramente o profeta Samuel porque então ele subiria para falar com Saul? Onde estava Samuel, no inferno? Um profeta de Deus?! Ou será que o espírito de Samuel estava enterrado junto com seu corpo? Afinal no texto a necromante diz: "Vejo um deus que vem subindo de dentro da terra".

Resposta: Bom, se o rei Saul foi à procura de uma necromante, para uma consulta aos mortos, é porque com certeza, ele Saul e os de sua época, acreditavam nisso, o que já é um fato a favor da realidade da comunicação com os mortos.

Já ouvimos, por várias vezes, essa argumentação que você usa de que um espírito estava se passando por Samuel, entretanto até o presente momento ninguém ainda nos trouxe uma prova bíblica de que os espíritos enganadores ou demônios, como queira, vêm em lugar dos espíritos que evocamos.

Favor nos mostrar a passagem em que Samuel, quando vivo, orienta a Saul a banir a prática da necromancia. Até onde sabemos Saul realmente fez isso, mas de vontade própria, já que não consta que tenha feito por sugestão de alguém. Necromancia, como você deve muito bem saber, é a evocação dos mortos para fins de adivinhação, coisa que nós espíritas não fazemos, com certeza. Mas veja que interessante: se os mortos não se comunicam então o por quê da proibição? Poderia nos explicar? Mas, antes, por favor nos explique a pergunta anterior, já que poderá justificar como sendo para não sermos enganados por “espíritos enganadores”

Outra coisa que nos deixa encafifados é: se Deus permite aos espíritos enganadores se manifestarem, porque motivo não permitiria, em contrapartida, que os bons espíritos também o façam. Poderia nos explicar se há algum motivo que justifique isso ou o desejo de Deus é que sejamos enganados mesmo?

Sim, podemos lhe afirmar que um profeta de Deus se manifesta. Além de Samuel, podemos trazer a você a prova não só de mais um, mas de dois que se manifestaram. Foram Moisés e Elias, que, muito tempo depois de mortos, apareceram a Jesus no monte Tabor, fato testemunhado por Pedro, Tiago e João. O mais interessante nesse episódio é que aquele que nos traz a notícia de que é proibido comunicar com os mortos aparece depois de morto, ironia do destino, não é mesmo? E se você dizer que Elias não morreu foi arrebatado, perguntaremos: se “Deus é espírito” (Jo 4,24), “O espírito que dá vida a carne de nada serve” (Jo 6,63), “... a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus” (1Cor 15,50) e, finalmente, a fala taxativa de Jesus “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu: o Filho do Homem” (Jo 3,13), o arrebatamento do corpo físico não irá contrariar tudo isso?

E considerando que Jesus disse que “Deus é Deus de vivos”, por que motivo os nossos “mortos”, vivos na outra dimensão, não poderiam se comunicar conosco? A proibição que apresenta é de Deus ou de Moisés? Se afirmar que é de Deus, por que então ela não consta entre os Dez Mandamentos?

Particularmente achamos incoerentes os que se apóiam na Bíblia para dizer que a comunicação com os mortos é proibida, já que não fazem a mínima questão de cumprir inúmeras outras passagens bíblicas. Daí não vemos nenhuma razão para querer que nós outros a cumpramos, já que não fazem o mesmo. Normalmente indicamos para começar, por exemplo, punindo com a morte aos que desobedecem às determinações contidas em Ex 21, 12-17; 22,18; 31,14. Poderemos, se quiser, enumerar outras tantas que você nem faz o cálculo da quantidade de coisas, até absurdas, que os que se baseiam na Bíblia não fazem a mínima questão de seguir.

Também não conseguimos entender porque motivo o espirito enganador teria repreendido a Saul por ter sido evocado, qual a lógica, pois se, conforme você diz, ele era um espirito enganador estava ali um bom momento para praticar mais uma de suas mentiras, já que é assim que você crê que as coisas acontecem.

A questão que você aborda sobre Samuel subir, relacionando esse fato ao inferno, demonstra que você talvez não tenha conhecimento que naquela época se acreditava que todos ao morrerem iriam para o hades ou xeol (sheol), daí a cultura da época só poderia admitir um espírito voltado, para se comunicar com alguém, subindo e não descendo.

Esse conceito de inferno é coisa que buscaram na cultura persa. E mais uma pergunta: poderia nos indicar em qual passagem encontramos Deus criando o inferno? Se ele existe, como parece acreditar, por que motivo Deus ao estabelecer os Dez Mandamentos não diz que os que não os cumprissem iriam para o inferno? Será que Ele mandou gente para o inferno sem lhes dar o direito de saber que suas ações os levariam para lá? E como fica “...a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2, 13) e “...o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca”. (Mt 18,14). Mas veja lá, nos Dez Mandamentos, se logo após eles serem instituídos, se há alguma coisa de ir para o inferno, ou se tudo, benções e maldições, não estão relacionadas a situações terrenas. Daí, podemos concluir, sem medo de errar, que o inferno é aqui na terra mesmo, já que a Terra é um planeta inferior e é por aqui mesmo que pagamos os nossos débitos perante a justiça divina, quando voltamos em nova encarnação para saldar ou pagar pelos nossos erros.

Quanto ao “vejo um deus”, retiramos de nosso texto; Comunicação com os mortos na Bíblia:

Algumas Bíblias ao invés de “vejo um espírito subindo da terra” traduzem por “vejo um deus subindo da Terra”. A frase dessa maneira nos é explicada:

“A palavra hebraica para significar Deus, também designa os seres supra-humanos e, como neste caso, o espírito dos mortos. Havia a convicção de que os espíritos dos mortos estavam encerrados no sheol, e este se situaria algures por baixo da terra” (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 392).

Observar que os tradutores dessa Bíblia explicam essa questão muito bem, só que muitas pessoas não sabem disso ou nem se preocupam em descobrir, pois acham que não existe verdade fora daquilo em que acreditam e o que lêem é somente a Bíblia produzida em seu meio religioso.

E ainda poderemos constatar que a Bíblia mesmo afirma que Samuel mesmo depois de morto profetizou, basta ler Eclesiástico 46,20, livro esse que encontramos em bíblias católicas que é tanto a palavra de Deus quanto às protestantes.

Remetente:
Como espírita o sr. sabe que existem o que vocês mesmos chamam de "espíritos enganadores". Como pode então usar a aparição de um desses espíritos para atestar sua crença na comunicação entre vivos e mortos?

Resposta:
Por conhecer as várias classificações em que se situam os espíritos, nós, mais que qualquer um adepto das correntes religiosas tradicionais, sabemos como lidar com eles. Mas como se diz popularmente “só lobos caem em armadilhas de lobos” a nós não engana, já que temos conhecimento suficiente para separar o joio do trigo. E mais uma pergunta: na Bíblia, de ponta a ponta, se vê manifestação de espíritos, poderia nos dizer quem são eles? São seres criados por Deus ou são os espíritos humanos que viveram encarnados aqui na Terra? Jesus, dizendo a respeito da ressurreição afirma: que na ressurreição nós seremos iguais aos anjos do céu (Mt 22,30), daí podemos concluir que os anjos são espíritos de seres humanos que já morreram ou estaríamos forçando a interpretação? Teria ou explicação melhor para nos dar?

Por outro lado, se alteramos o sentido, como diz, aqui você também não deixa por menos, veja:

No versículo 16, consta: “Então disse Samuel”, não está conforme você afirma que aconteceu, pois para isso deveria estar: “Então o espírito enganador, que se passava por Samuel, disse”. Seguindo, versículo 17: “O Senhor te fez como por meu intermédio te disse” que é uma afirmativa absolutamente verdadeira, estranha para um espírito enganador, pois Samuel quando vivo, de fato, já havia advertido a Saul que Deus lhe tiraria o reinado (1Sm 13,13-14; 1Sm 15, 26). Um pouco mais à frente, no versículo 20, lemos: “Imediatamente Saul caiu estendido por terra, tomado de grande medo por causa das palavras de Samuel”, deveria estar, para ser conforme você diz que é, assim: Imediatamente Saul caiu estendido por terra, tomado de grande medo por causa das palavras do espírito enganador que se passava por Samuel.

Entender a Bíblia de modo diferente, por temos conhecimentos de uma outra realidade que ainda não é aceita por muitos é uma coisa, mas mudar completamente o sentido do texto como você faz é outra.

Você sabe que, como espírita, também sabemos que existem os espíritos bons, cuja missão é nos ajudar em nossa caminhada evolutiva, conforme a vontade de Deus.

Remetente:Que a consulta aos mortos fosse praticada por Saul, não surpreende. Afinal em vários textos vemos que o rei há muito se dedicava a transgredir os mandamentos de Deus. Claro que Saul não era o único e não estou dizendo que não havia invocação ou consulta aos espíritos entre os judeus, mas a Bíblia deixa claro que Deus nunca aprovou essa prática.

Resposta:
Não entendemos, pois segundo a Bíblia foi Deus quem ungiu Saul como rei de Israel (1 Sm 8,22; 10,1), ora, isso vem demonstrar que Deus não agiu com sabedoria, pois colocou como rei de Israel alguém que iria transgredir Seus mandamentos, onde a onisciência divina? Falhou?

Se você admite a invocação ou consulta aos espíritos entre os judeus, já estamos a meio caminho andado, muito bem. O que você coloca é que Deus nunca aprovou, certo? Como pode ter absoluta certeza que tal proibição é divina? Por que, como já lhe disse antes, ela não está entre os Dez Mandamentos? Por que Jesus a transgrediu quando conversa com os espíritos Moisés e Elias? Por que mesmo sendo o portador da proibição divina Moisés em espírito parece desconhecer isso? Temos que buscar as causas da proibição para entendermos isso. Moisés necessitando consolidar entre os judeus a idéia de um Deus único, proibiu qualquer coisa que viesse a comprometer essa idéia. Como os judeus não sabiam separar Deus de espíritos (“vejo um deus...”), resolveu por bem proibir tais coisas. Entretanto, Jesus ao conversar com os mortos no monte Tabor, revoga essa proibição de Moisés. Ele mesmo não disse que “tudo o que eu fiz vós podeis fazer é até mais”? Estamos, fazendo exatamente o que Ele, Jesus, fez, daí qual é o nosso crime?

Por outro lado, outra razão Moisés tinha em proibir tais práticas, já que se consultava aos mortos por qualquer motivo, veja, por exemplo, Saul consultando os mortos para saber do futuro, pois queria saber o que lhe aconteceria na guerra contra os filisteus. Não podemos tirar a razão dele, pois para coisas frívolas dessas, deve mesmo ser proibido se comunicar com os mortos, mas isso não é prática Espírita.

Remetente:

Em I Crônicas 10:4, 6, 13-14 vemos uma mostra dessa desaprovação: "Então disse Saul: Arranca a tua espada, e atravessa-me com ela, para que não venham estes incircuncisos e escarneçam de mim. Mas o seu escudeiro não quis, porque temia muito; então tomou Saul a sua espada, e se lançou sobre ela. Assim morreram Saul e seus três filhos; morreu toda a sua casa juntamente. Assim morreu Saul por causa da sua infidelidade para com o Senhor, porque não havia guardado a palavra do Senhor; e também porque buscou a adivinhadora para a consultar, e não buscou ao Senhor; pelo que ele o matou, e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé."

Resposta: Desculpe-nos, mas eta cronista mentiroso, seria um espírito enganador? Mudou completamente a história, como você poderá comprovar. Vamos aos fatos.

Quando os judeus estavam a caminho da terra prometida encontravam os amalecitas que lhe fizeram guerra. Por causa disso Deus disse que: “... eu vou apagar a memória de Amalec debaixo do céu” (Ex 17, 14). Deus prometendo vingança??? Pode uma coisa dessas? O executor dessa vingança foi escolhido como sendo Saul, cuja ordem recebida de Deus foi: “Assim diz o Senhor dos exércitos: Castigarei a Amaleque por aquilo que fez a Israel quando se lhe opôs no caminho, ao subir ele do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos” (1Sm 15,2-3).

Poderá uma ordem absurda dessa ter vindo de Deus? Nas guerras atuais, quando os exércitos, mesmo por engano, matam a civis, dá uma confusão dos diabos, estaríamos com sentimentos mais elevados que Deus? Só que Saul não matou a todos, pois foi “bonzinho” já que poupou a vida do rei Agag e o gado gordo e os cordeiros, isso foi o suficiente para atiçar a ira divina, que disse; “Estou arrependido de ter feito Saul rei, porque ele se afastou de mim e não executou as minhas ordens” (15,11), a sentença: “Javé arranca hoje de você o seu reinado sobre Israel e o entrega a outro mais digno do que você”. (1Sm 15, 28). Foi isso que Samuel falou a Saul quando vivo.

Mas vamos mais um pouquinho a frente: “O esplendor de Israel não mente, nem se arrepende, porque não é homem para se arrepender” (1Sm 15,29). Como não se arrepende se acabou de dizer que se arrependeu de ter feito rei a Saul? Veja quanta incoerência encontramos na Bíblia, e ainda quer que a sigamos cegamente?

Os filisteus foram o instrumento da vingança divina (acredite quem quiser) contra o desobediente Saul. Derrotado, ele, Saul, para não cair nas mãos dos inimigos, se atira à sua própria espada.

Poderíamos comparar isso com o relato do cronista enganador:

- disse que Deus matou a Saul, quando a verdade foi que Saul quem se matou, suicidou-se, embora poderia ter sido morto posteriormente, mas fatos são fatos.

- disse que a causa da morte de Saul, foi também por ter buscado a necromante, outra mentira, pois não havia nenhuma promessa divina de tirar a vida de Saul por causa disso, apenas a vingança divina seria quanto ao seu reinado, por não ter cumprido a Suas ordens plenamente.

Não vemos nenhuma desaprovação, o que vemos é mais uma história mal contada, cuja veracidade cabe-nos questionar, principalmente por acreditarmos que Deus seja um pai, não um carrasco.

Remetente:
Em outro momento, o sr., assim como os fanáticos da Bíblia tão execrados em seu site, altera o sentido de um texto (Deuteronômio 18:10-12) para justificar suas teorias. Senão vejamos: "Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor." Aqueles que consultam "espírito adivinhador" podem ser considerados como necromantes, mas quando o texto fala de quem "consulta os mortos", sem dúvida se refere aos que invocam espíritos, os hoje chamados médiuns.

Resposta:
Admitimos, não temos a mínima paciência com fanáticos, pois seguem cegamente a liderança religiosa, não pensam pela sua própria cabeça e ainda por cima querem que sejamos iguais a eles. Somos espíritos diferentes, em diversos graus evolutivos, não há como pensarmos do mesmo modo, isso é contra as leis da natureza. E como queremos ter o direito de agirmos o que quisermos e não passamos a ninguém procuração para escolher a nossa religião, fazemos o que achamos melhor para nós. Se execramos os fanáticos como diz, talvez seja por não suportamos interferência em nossa opção religiosa e mais ainda por saber que todos que falam do Espiritismo não o conhecem, e mesmo assim, sem a menor cerimônia, falam dele. Fora os que por falta de argumentos tentam denegrir as pessoas. Fossem mais éticos e educados nós os trataríamos de diferente maneira.

Não sabemos onde alteramos o sentido do texto, pois admitimos a comunicação com os mortos, até mesmo porque se ela esta sendo proibida é porque existe, não é mesmo? Mas a quem está dirigida essa recomendação aos espíritas? Não! Porque não existíamos naquele tempo. Recomendação válida para os judeus não para nós, já que nos consideramos cristãos. Pense nisso! E conforme já abordamos anteriormente poderia nos provar que cumpre todas as determinações bíblicas? Supomos que deve aceitá-la com a palavra de Deus, principalmente pelos argumentos que nos traz.

Não deveria se esquecer que, também, os profetas eram médiuns. Leia 1Sm 9,9 e depois nos diga se os que chamavam de videntes não eram senão médiuns, inclusive deve saber que dizemos dos que possuem a faculdade de ver os espíritos de médiuns videntes.

Mas se estivesse estudado teria visto que a primeira comunicação de espíritos que se dá como origem do Espiritismo teria percebido que os fenômenos ocorridos com as irmãs Fox, em Hydesville, estado de Nova York, nos Estados Unidos, foram espontâneos não se evocou ninguém, foi o espírito que se comunicou porque quis, e, para nós é evidente, que se houve a comunicação foi porque Deus permitiu, já que nada ocorre sem sua permissão. E para dizer a verdade ninguém sabia quem produzia as pancadas, foram elas, vamos assim dizer, que se identificaram com sendo um espirito chamado Charles B. Rosma, um mascate que foi morto naquela casa, por antigos moradores. Fato confirmado 56 anos depois, quando caiu uma parede do porão e encontraram o esqueleto e a sua mala de mascate. Detalhe importantíssimo a família Fox era metodista.

Outro fato significativo que prova que a comunicação com os mortos está acontecendo por vontade deles, não porque o estamos evocando ocorreu em meados de 1959. Transcrevemos:

A primeira gravação de vozes do além, deve-se russo Friedrich Juergenson. O fato se deu quando em sua residência de campo em Molnbo – perto de Estocolmo, Suécia –- no dia 14 de junho de 1959, estava gravando o cantar dos pássaros se deu a primeira comunicação. Vejamos:

“Uma vez instalado na velha casa de campo, ele preparou seu gravador, colocando-lhe uma fita magnética nova. O microfone foi posto próximo a uma janela aberta situada junto ao telhado. Um tentilhão de fala logo pousou em um galho de árvore, bem próximo da janela, e pôs-se a gorjear. Juergenson ligou o aparelho e rodou a fita durante cerca de cinco minutos, findos os quais ele suspendeu a gravação, retornou a fita e procurou ouvir o que fora gravado. Com surpresa, verificou que o som captado pelo gravador parecia-se com o ruído de uma chuva forte, no meio do qual distinguia-se fracamente o trinado do tentilhão. Juergenson julgou que seu aparelho houvesse sofrido alguma avaria durante a viagem. Retornou novamente a fita e resolveu ouvi-la até o final da gravação. O ruído inicial lá estava, mas, de repente, surgiu um solo de clarim (trompete) executando uma estranha música! Surpreso, passou a ouvir em seguida uma série de sons variados, entre os quais Juergenson reconheceu o canto de um alcaravão, uma espécie de ave noturna. Intrigado, Juergenson prosseguiu na escuta e pode ouvir, a seguir, uma voz humana que falava em norueguês! Embora fraca, a voz era inteligível, confirmando-lhe ‘... cantos de pássaros noturnos’. Findo esse último ruído, surgiu límpido o canto do tentilhão e dos milharoses que estavam mais distantes; a gravação voltara ao normal”.

(...) “De começo, eram barulhos, sinais acústicos, trechos de frases. Uns eram claros. Outros sussurrados mas, ainda mais estranho, as frases nunca ultrapassavam nove sílabas e era ditas utilizando várias línguas em cada fase”.

Assim, como pode bem perceber são os espíritos que procuram entrar em contato conosco, daí não vemos nenhuma razão para evitar, principalmente nos baseando em uma orientação mosaica dada especificamente a um povo para que não praticassem o que os cananeus faziam. Não somos judeus, repetimos, e não fazemos nada do que os cananeus faziam.

Vejamos agora a questão da “consulta ao mortos”. Severino Celestino da Silva, em “Analisando as Traduções Bíblicas, nos informa:



(aqui temos o texto em hebraico) = Vedorêsh el-hametim (significa e quem exija a presença dos “mortos”):

A maioria traduz dorêsh él-hametim como consulta aos “mortos”, no entanto, acima já existe o verbo consultar (shoêl) utilizado antes da palavra “necromante e adivinho”. Porém, antes da palavra “mortos” observe que o verbo muda para (lidrôsh) e o primeiro significado do verbo lidrôsh, em hebraico, é EXIGIR, daí, a tradução correta do texto ser: exigir a presença dos mortos. Se este verbo tivesse o mesmo significado de consultar, não teria razão de, no versículo, o autor sagrado trocar o verbo “shoêl por dorêsh” antes da palavra “hametim”, (“mortos”)

Existe ainda o agravante: era costume dos adivinhos se deitarem de bruços sobre os túmulos para tentarem estabelecer um diálogo com os mortos. Acreditavam com isto ser possível o diálogo.

Maimônides, acrescenta ainda que eles jejuavam e depois passavam a noite em um cemitério, a fim de que um morto lhe aparecesse em sonho e o comunicasse sobre assuntos que ele desejasse perguntar. Outros vestiam mantos especiais, pronunciavam certas palavras, ofereciam um incenso especial e dormiam sozinhos no cemitério, afim de que uma pessoa morta lhes aparecesse em sonho e conversasse com eles.

A proibição de Moisés se dirigia exatamente a este método ou a esta prática para se conseguir o intercâmbio. Moisés não diz em nenhum momento se acreditava na eficácia destas práticas. No entanto, proibia o seu uso, o que já é suficiente para entendermos que ele acreditava no retorno dos mortos, do contrário não as teria proibido. O rei Saul, em casa da pitonisa de Endor (I Samuel 28:7-19), comprova esta crença que justifica plenamente a proibição. (grifos do original).



Por outro lado, ainda poderemos acrescentar que ninguém é médium por que quer, já que a mediunidade é mais uma faculdade humana que todos possuem, variando apenas quanto ao seu grau. Se as pessoas já nascem médiuns, ou seja, intermediária entre os espíritos e os homens, nascem por vontade de Deus. Assim, não há lógica alguma em Deus criar pessoas com a possibilidade se comunicar com os mortos para depois as proibir, melhor que não tivesse isso entre suas leis. Seria a mesma coisa que uma pessoa colocar numa mesa um chocolate para que todas as crianças vissem e dissessem a elas: não comam desse chocolate. Pura tortura! Pura demência! Que de forma alguma poderemos, em sã razão, atribuir coisa semelhante à divindade.

Remetente:
De certo que esse mandamento, como muitos outros, não era obedecido pelo povo de Israel. E apesar da Lei Mosaica proibir, o povo de Israel continuou a praticar essa "abominação", como também muitas outras. Os chamados profetas de Deus, porém, sempre condenaram tal prática.

Resposta:
Se os profetas condenaram tal prática a nós não faz a menor diferença, pois não seguimos os profetas, nem mesmo a Moisés, seguimos incondicionalmente a Jesus. Ele fez qualquer tipo de proibição nesse sentido? Poderia nos apontar? E voltamos a dizer, se você não segue totalmente tudo quanto tem na Bíblia, por que motivo vem nos exigir que a sigamos? Ainda mais nós que não seguimos a Moisés (lei mosaica), mas somente a Jesus? Incoerência, não? E os profetas apenas repetiram a proibição de Moisés, já que acreditavam que isso era uma determinação divina, daí esse fato não firmar mais valor à proibição.

Remetente:
Quanto à reencarnação, é interessante notar que se ela era uma crença recorrente entre os judeus, João Batista não partilhava dela. Um Exemplo disso encontramos em João 1:19-21, quando inquirido por sacerdotes e levitas João nega ser Elias. Diz o texto: "E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram sacerdotes e levitas de Jerusalém para que lhe perguntassem: Quem és tu? Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo. Ao que lhe perguntaram: Então quem és? És tu Elias? Respondeu ele: Não sou."

Resposta: O fato de João Batista não saber quem foi numa encarnação anterior não é fundamento para dizer que ele não acreditava na reencarnação, aqui, mais uma vez, você extrapolou na interpretação. Se você acreditasse na reencarnação, com certeza, não diria isso, o que significa dizer que apenas afirma isso porque não acredita. Ora o fato de acreditarmos ou não numa coisa não faz dela uma verdade, nem mesmo poderá mudar alguma lei estabelecida por Deus, Galileu Galilei, quem o diga.

Se você tivesse estudado o Espiritismo teria percebido que também é da lei divina o esquecimento do passado, coisa necessária para que possamos reencontrar os nossos desafetos e nas relações sociais da atual encarnação estabelecer com eles vínculos de amor, desfazendo, desta forma, os provenientes de ódios de outras vidas.

Entretanto, entre a afirmativa de Elias e a de Jesus, com qual delas você ficaria? Então veja o que disse Jesus: “Elias já veio, e eles não o reconheceram” (Mt 17,12), “...e se quiseres acreditar João é Elias que devia vir. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 11,14-15).

O pesquisador norte-americano Ian Stevenson, entre outros, levantou mais de 2.600 casos de crianças que lembraram espontaneamente de outras encarnações. Na TVP inúmeros outros pesquisadores vêm confirmando a reencarnação. E o importante de tudo isso é que quase todos eles não são espíritas. A ciência oficial mais cedo do que muitos desejariam vai aceitar a reencarnação como lei natural. Quem viver verá.

Remetente:
Não leve a mal os comentários. Não quero de modo algum alimentar polêmicas religiosas. Acredito que todos têm o direito e o privilégio de adorar a Deus de acordo com sua própria consciência, adorando como, onde ou o que desejarem. Parabenizo-o por seu site que foi muito útil para tirar algumas dúvidas que tinha sobre a doutrina espírita, com a qual não concordo. Porém tenho amigos espíritas que são pessoas ótimas e muito caridosas, como deveríamos ser todos independente de religião. Pois Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras (Romanos 2: 6, 9-11). Tenho certeza que quando Deus reunir suas ovelhas haverá entre elas evangélicos, espíritas, mulçumanos, budistas, judeus, católicos, testemunhas de Jeová, mórmons, esótericos, hindus e até ateus, pois para Deus não há acepção de pessoas.

Deus o abençoe,

Responder esta

A "Bíblia dos Espíritas" é a mesma dos católicos e protestantes. O que difere e a sua interpretação de maneira mais racional. Se você quer mesmo conhecer a "Bíblia dos espíritas" recomendo que leia as obras de Allan Kardec. Você vai encontrar várias passagens que desmistificam esse tal de "inferno" tão difundido entre alguns que mostra não um Deus justo mas um Deus raivoso e sedento de ódio. Até para criticar, as pessoas devem conhecer primeiro. Ou será que apenas os católicos e protestantes são os iluminados por Deus? Se Deus quisesse que o Espiritismo deixasse de existir este não completaria mais de 100 anos.

Responder esta

Os Demônios
Origem da crença nos demônios - Os demônios segundo a Igreja - Os demônios segundo o Espiritismo

Origem da crença nos demônios
1. - Em todos os tempos os demônios representaram papel saliente nas diversas teogonias, e, posto que consideravelmente decaídos no conceito geral, a importância que se lhes atribui, ainda hoje, dá à questão uma tal ou qual gravidade, por tocar o fundo mesmo das crenças religiosas. Eis por que útil se torna examiná-la, com os desenvolvimentos que comporta.

A crença num poder superior é instintiva no homem. Encontramo-la, sob diferentes formas, em todas as idades do mundo. Mas, se hoje, dado o grau de cultura atingido, ainda se discute sobre a natureza e atributos desse poder, calcule-se que noções teria o homem a respeito, na infância da Humanidade.

2. - Como prova da sua inocência, o quadro dos homens primitivos extasiados ante a Natureza e admirando nela a bondade do Criador é, sem dúvida, muito poético, mas pouco real. De fato, quanto mais se aproxima do primitivo estado, mais o homem se escraviza ao instinto, como se verifica ainda hoje nos povos bárbaros e selvagens contemporâneos; o que mais o preocupa, ou, antes, o que exclusivamente o preocupa é a satisfação das necessidades materiais, mesmo porque não tem outras.

O único sentido que pode torná-lo acessível aos gozos puramente morais não se desenvolve senão gradual e morosamente; a alma tem também a sua infância, a sua adolescência e virilidade como o corpo humano; mas para compreender o abstrato, quantas evoluções não tem ela de experimentar na Humanidade! Por quantas existências não deve ela passar!

Sem nos remontarmos aos tempos primitivos, olhemos em torno a gente do campo e perscrutemos os sentimentos de admiração que nela despertam o esplendor do Sol nascente, do firmamento a estrelada abóbada, o trino dos pássaros, o murmúrio das ondas claras, o vergel florido dos prados. Para essa gente o Sol nasce por hábito, e uma vez que desprende o necessário calor para sazonar as searas, não tanto que as creste, está realizado tudo o que ela almejava; olha o céu para saber se bom ou mau tempo sobrevirá; que cantem ou não as aves, tanto se lhe dá, desde que não desbastem da seara os grãos; prefere às melodias do rouxinol, o cacarejar da galinhada e o grunhido dos porcos; o que deseja dos regatos cristalinos, ou lodosos, é que não sequem nem inundem; dos prados, que produzam boa erva, com ou sem flores.

Eis aí tudo o que essa gente almeja, ou, o que é mais, tudo o que da Natureza apreende, conquanto muito distanciada já dos primitivos homens.

3. - Se nos remontarmos a estes últimos, então, surpreendê-los-emos mais exclusivamente preocupados com a satisfação de necessidades materiais, resumindo o bem e o mal neste mundo somente no que concerne à satisfação ou prejuízo dessas necessidades.

Acreditando num poder extra-humano e porque o prejuízo material é sempre o que mais de perto lhes importa, atribuem-no a esse poder, do qual fazem, aliás, uma idéia muito vaga. E por nada conceberem fora do mundo visível e tangível, tal poder se lhes afigura identificado nos seres e coisas que os prejudicam.

Os animais nocivos não passam para eles de representantes naturais e diretosdesse poder. Pela mesma razão, vêem nas coisas úteis a personificação do bem: dai, o culto votado a certas plantas e mesmo a objetos inanimados.

Mas o homem é comumente mais sensível ao mal que ao bem; este lhe parece temor suplanta o reconhecimento.

Durante muito tempo o homem não compreendeu senão o bem e o mal físicos; os sentimentos morais só mais tarde marcaram o progresso da inteligência humana, fazendo-lhe entrever na espiritualidade um poder extra-humano fora do mundo visível e das coisas materiais. Esta obra foi, seguramente, realizada por inteligências de escol, mas que não puderam exceder certos limites.

4. - Provada e patente a luta entre o bem e o mal, triunfante este muitas vezes sobre aquele, e não se podendo racionalmente admitir que o mal derivasse de um benéfico poder, concluiu-se pela existência de dois poderes rivais no governo do mundo. Daí nasceu a doutrina dos dois princípios, aliás lógica numa época em que o homem se encontrava incapaz de, raciocinando, penetrar a essência do Ser Supremo.

Como compreenderia, então, que o mal não passa de estado transitório do qual pode emanar o bem, conduzindo-o à felicidade pelo sofrimento e auxiliando-lhe o progresso? Os limites do seu horizonte moral, nada lhe permitindo ver para além do seu presente, no passado como no futuro, também não lhe permitia compreender que já houvesse progredido, que progrediria ainda individualmente, e muito menos que as vicissitudes da vida resultavam das imperfeições do ser espiritual nele residente, o qual preexiste e sobrevive ao corpo, na dependência de uma série de existências purificadoras até atingir a perfeição.

Para compreender como do mal pode resultar o bem é preciso considerar não uma, porém, muitas existências; é necessário apreender o conjunto do qual - e só do qual - resultam nítidas as causas e respectivos efeitos.

5. - O duplo princípio do bem e do mal foi, durante muitos séculos, e sob vários nomes, a base de todas as crenças religiosas. Vemo-lo assim sintetizado em Oromase e Arimane entre os persas, em Jeová e Satã entre os hebreus. Todavia, como todo soberano deve ter ministros, as religiões geralmente admitiram potências secundárias, ou bons e maus gênios. Os pagãos fizeram deles individualidades com a denominação genérica de deuses e deram-lhes atribuições especiais para o bem e para o mal, para os vícios e para as virtudes. Os cristãos e os muçulmanos herdaram dos hebreus os anjos e os demônios.

6. - A doutrina dos demônios tem, por conseguinte, origem na antiga crença dos dois princípios. Compete-nos examiná-la aqui tão-somente no ponto de vista cristão para ver se está de acordo com as noções mais exatas que possuímos hoje, dos atributos da Divindade.

Esses atributos são o ponto de partida, a base de todas as doutrinas religiosas; os dogmas, o culto, as cerimônias, os usos e a moral, tudo é relativo à idéia mais ou menos justa, mais ou menos elevada que se forma de Deus, desde o fetichismo até o Cristianismo. Se a essência de Deus continua a ser um mistério para as nossas inteligências, compreendemo-la no entanto melhor que nunca, mercê dos ensinamentos do Cristo. O Cristianismo racionalmente ensina-nos que: Deus é único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as perfeições.

Foi por isso que algures dissemos - (1ª Parte cap. VI, "Doutrina das penas eternas") "Se se tirasse a menor parcela de um só dos seus atributos, não haveria mais Deus, por isso que poderia coexistir um ser mais perfeito." Estes atributos, na sua plenitude absoluta, são, pois, o critério de todas as religiões, estalão da verdade de cada um dos princípios que ensinam. E para que qualquer desses princípios seja verdadeiro, preciso é que não encerre um atentado às divinas perfeições. Vejamos se assim é, de fato, na doutrina vulgar dos demônios.

Os demônios segundo a Igreja
7 . Satanás, o chefe ou o rei dos demônios, não é, segundo a Igreja, uma personificação alegórica do mal, mas uma entidade real, praticando exclusivamente o mal, enquanto que Deus pratica exclusivamente o bem.

Tomemo-lo, pois, tal qual no-lo representam. Satanás existe de toda a eternidade, como Deus, ou ser-lhe-á posterior? Existindo de toda a eternidade é incriado, e, por conseqüência, igual a Deus. Este Deus, por sua vez, deixará de ser único, pois haverá um deus do mal. Mas se lhe for posterior? Neste caso passa a ser uma criatura de Deus. Como tal, só praticando o mal por incapaz de fazer o bem e tampouco de arrepender-se, Deus teria criado um ser votado exclusiva e eternamente ao mal. Não sendo o mal obra de Deus, seria contudo de uma das suas criaturas, e nem por isso deixava Deus de ser o autor, deixando igualmente de ser profundamente bom. O mesmo se dá, exatamente, em relação aos seres maus chamados demônios.

8. - Tal foi, por muito tempo, a crença neste sentido. Hoje dizem (1): "Deus, que é a bondade e santidade por excelência, não os havia criado perversos e maus. A mão paternal que se apraz imprimir em todas as suas obras o cunho de infinitas perfeições, cumulara-os de magníficos predicados. As qualidades eminentíssimas de sua natureza, juntara as liberalidades da sua graça; em tudo os fizera iguais aos Espíritos sublimes de glória e felicidade; subdivididos por todas as suas ordens e adstritos a todas as classes, eles tinham o mesmo fim e idênticos destinos. Foi seu chefe o mais belo dos arcanjos. Eles poderiam até ter alcançado a confirmação de justos para todo o sempre, e serem admitidos ao gozo da bem-aventurança dos céus. Este último favor, que deverá ser o complemento de todos os outros, constituía o prêmio da sua docilidade, mas dele desmereceram por insensata e audaciosa revolta."

(1) As citações seguintes são extraídas da pastoral de Monsenhor Gousset, cardeal-arcebispo de Reims, para a quaresma de 1865. Atentos ao mérito pessoal e à posição do autor, podemos considerá-las a última expressão da Igreja sobre a doutrina dos demônios.

"Qual foi o escolho da sua perseverança? Que verdade desconheceram? Que ato de adoração, de fé, recusaram a Deus? A Igreja e os anais das santas escrituras não no-lo dizem positivamente, mas certo parece que não aquiesceram à mediação do Filho de Deus, nem à exaltação da natureza humana em Jesus-Cristo."

"O Verbo Divino, criador de todas as coisas, é também o mediador e salvador único, na Terra como no Céu. O fim sobrenatural não foi dado aos anjos e aos homens senão na previsão de sua encarnação e méritos, pois não há proporção alguma entre a obra dos Espíritos eminentes e a recompensa, que é o próprio Deus. Nenhuma criatura poderia alcançar tal fim, sem esta maravilhosa e sublime intervenção da caridade. Ora, para preencher a distância infinita que separa a sua essência das suas obras, preciso fora reunisse à sua pessoa os dois extremos, associando à divindade as naturezas ou do anjo, ou do homem: e preferiu então a natureza humana. Esse plano, concebido de toda eternidade, foi manifestado aos anjos muito antes da sua execução: o Homem-Deus foi-lhes mostrado como Aquele que deveria confirmá-los na graça e guiá-los à glória, sob a condição de o adorarem durante a missão terrestre, e para todo o sempre no céu. Revelação inesperada, arrebatadora visão para corações generosos e gratos, mas - mistério profundo - humilhante para espíritos soberbos! Esse fim sobrenatural, essa glória imensa que lhes propunham não seria unicamente a recompensa de seus méritos pessoais. Nunca poderiam atribuir a si próprios os títulos dessa glória! Uni mediador entre Deus e eles! Que injúria à sua dignidade! E a preferência espontânea pela natureza humana? Que injustiça! que afronta aos seus direitos!"

"E chegarão eles a ver esta Humanidade, que lhes é tão inferior, deificada pela união com o Verbo, sentada à mão direita de Deus em trono resplandecente? Consentirão enfim que ela ofereça a Deus, eternamente, a homenagem da sua adoração?"

"Lúcifer e a terça parte dos anjos sucumbiram a tais pensamentos de inveja e de orgulho. S. Miguel e com ele muitos exclamaram: "Quem é semelhante a Deus? Ele é o dono de seus dons, o soberano Senhor de todas as coisas. Glória a Deus e ao Cordeiro, que tem de ser imolado à salvação do mundo." O chefe dos rebeldes, porém, esquecido de que a Deus devia a sua nobreza e prerrogativas, raiando pela temeridade, disse: "Sou eu quem ao céu subirá; fixarei residência acima dos astros; sentar-me-ei sobre o monte da aliança, nos flancos do Aquilão, dominarei as nuvens mais elevadas e serei semelhante ao Altíssimo." Os que de tais sentimentos partilharam, acolheram essas palavras com murmúrios de aprovação, e partidários houve em todas as hierarquias. A sua multidão, contudo, não os preserva do castigo."

9. - Está doutrina suscita várias objeções:

1ª - Se Satã e os demônios eram anjos, eles eram perfeitos; como, sendo perfeitos, puderam falir a ponto de desconhecer a autoridade desse Deus, em cuja presença se encontravam? Ainda se tivessem logrado uma tal eminência gradualmente, depois de haver percorrido a escala da perfeição, poderíamos conceber um triste retrocesso; não, porém, do modo por que no-los apresentam, isto é, perfeitos de origem.

A conclusão é esta: - Deus quis criar seres perfeitos, porquanto os favorecera com todos os dons, mas enganou-se: logo, segundo a Igreja, Deus não é infalível! (1)

(1) Esta doutrina monstruosa é corroborada por Moisés, quando diz (Gênese, cap. VI, vv. 6 e 7): "Ele se arrependeu de haver criado o homem na Terra e, penetrado da mais intima dor, disse: Exterminarei a criação da face da Terra; exterminarei tudo, desde o homem aos animais, desde os que rastejam sobre a terra até os pássaros do céu, porque me arrependo de os ter criado." Ora, um Deus que se arrepende do que fez não é perfeito nem infalível; portanto, não é Deus. E são estas as palavras que a Igreja proclama! Tampouco se percebe o que poderia haver de comum entre os animais e a perversidade dos homens, para que merecessem tal extermínio.

2ª - Pois que nem a Igreja e nem os sagrados anais explicam a causa da rebelião dos anjos para com Deus e apenas dão como problemática (quase certa) a relutância no reconhecimento da futura missão do Cristo, que valor - perguntamos -que valor pode ter o quadro tão preciso e detalhado da cena então ocorrente? A que fonte recorreram, para inferir se de fato foram pronunciadas palavras tão claras e até simples colóquios? De duas uma: ou a cena é verdadeira ou não é. No primeiro caso, não havendo dúvida alguma, por que a Igreja não resolve a questão? Mas se a Igreja e a História se calam se a coisa apenas parece certa, claro, não passa de hipótese, e acena descritiva é mero fruto da imaginação. (2)

(2) Encontra-se em Isaías, cap. XIV, Vv. 11 e seguintes: "Teu orgulho foi precipitado nos infernos; teu corpo morto baqueou par terra; tua cama verterá podridão, e vermes tua vestimenta. Como caíste do Céu, Lúcifer, tu que parecias tão brilhante ao romper do dia? Como foste arrojado sobre a Terra, tu que ferias as nações com teus golpes; que dizias de coração: Subirei aos céus, estabelecerei meu trono acima dos astros de Deus, sentar-me-ei acima das nuvens mais altas e serei igual ao Altíssimo! E todavia foste precipitado dessa glória no inferno, até o mais fundo dos abismos. Os que te virem, aproximando-se, encarar-te-ão, dizendo: "Será este o homem que turbou a Terra, que aterrou seus remos, que fez do mundo um deserto, que destruiu cidades e reteve acorrentados os que se lhe entregaram prisioneiros?" Estas palavras do profeta não se relerem à revolta dos anjos,' são, sim, uma alusão ao orgulho e à queda do rei de Babilônia, que retinha os judeus em cativeiro, como atestam os últimos versículos. O rei de Babilônia é alegoricamente designado por Lúcifer, mas não se faz aí qualquer menção da cena supra descrita. Essas palavras são do rei que as tinha no coração e se colocava por orgulho acima de Deus, cujo povo escravizara. A profecia da libertação do povo judeu, da rainha de Babilônia e do destroço dos assírios é, ao demais, o assunto exclusivo desse capítulo.

3ª- As palavras atribuídas a Lúcifer revelam uma ignorância admirável num arcanjo que, por sua natureza e grau atingido, não deve participar, quanto à organização do Universo, dos erros e dos prejuízos que os homens têm professado, até serem pela Ciência esclarecidos. Como poderia, então, dizer que fixaria residência acima dos astros, dominando as mais elevadas nuvens?!

É sempre a velha crença da Terra como centro do Universo, do céu como que formado de nuvens estendendo-se às estrelas, e da limitada região destas, que a Astronomia nos mostra disseminadas ao infinito no infinito espaço! Sabendo-se, como hoje se sabe, que as nuvens não se elevam a mais de duas léguas da superfície terráquea, e falando-se em dominá-las por mais alto, referindo-se a montanhas, preciso fora que a observação partisse da Terra, sendo ela, de fato, a morada dos anjos. Dado, porém, ser esta em região superior, inútil fora alçar-se acima das nuvens. Emprestar aos anjos uma linguagem tisnada de ignorância, é confessar que os homens contemporâneos são mais sábios que os anjos. A Igreja tem caminhado sempre erradamente, não levando em conta os progressos da Ciência.

10. - A resposta à primeira objeção acha-se na seguinte passagem:

"A escritura e a tradição denominam céu o lugar no qual se haviam colocado os anjos, no momento da sua criação. Mas esse não era o céu dos céus, o céu da visão beatifica, onde Deus se mostra de face aos seus eleitos, que o contemplam claramente e sem esforço, porque aí não há mais possibilidade nem perigo de pecado; a tentação e a dúvida são aí desconhecidas; a justiça, a paz e a alegria reinam imutáveis, a santidade e a glória imperecíveis. Era, portanto, outra região celeste, uma esfera luminosa e afortunada, essa em que permaneciam tão nobres criaturas favorecidas pelas divinas comunicações, que deveriam receber com fé e humildade até serem admitidas no conhecimento da sua realidade essência do próprio Deus."

Do que precede se infere que os anjos decaídos pertenciam a uma categoria menos elevada e perfeita, não tendo atingido ainda o lugar supremo em que o erro é impossível. Pois seja: mas, então, há manifesta contradição nesta afirmativa: - Deus em tudo os tinha criado semelhantes aos espíritos sublimes que, subdivididos em todas as ordens e adstritos a todas as classes, tinham o mesmo fim e idênticos destinos, e que seu chefe era o mais belo dos arcanjos. Ora, em tudo semelhantes aos outros, não lhes seriam inferiores em natureza; idênticos em categorias, não podiam permanecer em um lugar especial. Intacta subsiste, portanto, a objeção.

11. - E ainda há uma outra que é, certamente, a mais séria e a mais grave.

Dizem: - "Este plano (a intervenção do Cristo), concebido desde toda a eternidade, foi manifestado aos anjos muito antes da sua execução." Deus sabia, portanto, e de toda a eternidade, que os anjos, tanto quanto os homens, teriam necessidade dessa intervenção. Ainda mais: - o Deus onisciente sabia que alguns dentre esses anjos viriam a falir, arcando com a eterna condenação e arrastando a igual sorte uma parte da Humanidade. E assim, de caso pensado, previamente condenava o gênero humano, a sua própria criação. Deste raciocínio não há fugir, porquanto de outro modo teríamos que admitir a inconsciência divina, apregoando a não presciência de Deus. Para nós é impossível identificar uma tal criação com a soberana bondade. Em ambos os casos vemos a negação de atributos, sem a plenitude absoluta dos quais Deus não seria Deus.

12. - Admitindo a falibilidade dos anjos como a dos homens, a punição é conseqüência, aliás justa e natural, da falta; mas se admitirmos concomitantemente a possibilidade do resgate, a regeneração, a graça, após o arrependimento e a expiação, tudo se esclarece e se conforma com a bondade de Deus. Ele sabia que errariam, que seriam punidos, mas sabia igualmente que tal castigo temporário seria um meio de lhes fazer compreender o erro, revertendo alfim em benefício deles. Eis como se explicam as palavras do profeta Ezequiel: - "Deus não quer a morte, porém a salvação do pecador." (1)

(1) Vede 1ª' Parte, cap. VI, nº 25, citação de Ezequiel.

A inutilidade do arrependimento e a impossibilidade de regeneração, isso sim,importaria a negação da divina bondade. Admitida tal hipótese, poder-se-ia mesmo dizer, rigorosa e exatamente, que estes anjos desde a sua criação, visto Deus não poder ignorá-lo, foram votados à perpetuidade do mal, e predestinados a demônios para arrastarem os homens ao mal.

13. - Vejamos agora qual a sorte desses tais anjos e o que fazem:

"Mal apenas se manifestou a revolta na linguagem dos Espíritos, isto é, no arrojo dos seus pensamentos, foram eles banidos da celestial mansão e precipitados no abismo. Por estas palavras entendemos que foram arremessados a um lugar de suplícios no qual sofrem a pena de fogo, conforme o texto do Evangelho, que é a palavra mesma do Salvador. Ide, malditos, ao fogo eterno preparado pelo demônio e seus anjos. S. Pedro expressamente diz: que Deus os prendeu às cadeias e torturas infernais, sem que lá estejam, contudo, perpetuamente, visto como só no fim do mundo serão para sempre enclausurados com os réprobos. Presentemente, Deus ainda permite que ocupem lugar nesta criação, à qual pertencem, na ordem de coisas idênticas à sua existência, nas relações enfim que deviam ter com os homens, e das quais fazem o mais pernicioso abuso. Enquanto uns ficam na tenebrosa morada, servindo de instrumento da justiça divina contra as almas infelizes que seduziram, outros, em número infinito, formam legiões e residem nas camadas inferiores da atmosfera, percorrendo todo o globo. Envolvem-se em tudo que aqui se passa, tomando mesmo parte muito ativa nos acontecimentos terrenos."

Quanto ao que diz respeito às palavras do Cristo sobre o suplício do fogo eterno, já nos explanamos no cap. IV, "O Inferno".

14. - Por esta doutrina, apenas uma parte dos demônios está no inferno; a outra vaga em liberdade, envolvendo-se em tudo que aqui se passa, dando-se ao prazer de praticar o mal e isso até o fim do mundo, cuja época indeterminada não chegará tão cedo, provavelmente. Mas, por que uma tal distinção? Serão estes menos culpados? Certo que não, a menos que se não revezem, como se pode inferir destas palavras: "Enquanto uns ficam na tenebrosa morada, servindo de instrumento da justiça divina contra as almas infelizes que seduziram."

Suas ocupações consistem, pois, em martirizar as almas que seduziram. Assim, não se encarregam de punir faltas livre e voluntariamente cometidas, porém as que eles próprios provocaram. São ao mesmo tempo a causa do erro e o instrumento do castigo; e, coisa singular, que a justiça humana por imperfeita não admitiria - a vitima que sucumbe por fraqueza, em contingências alheias e porventura superiores à sua vontade, é tanto ou mais severamente punida do que o agente provocador que emprega astúcia e artifício, visto como essa vitima, deixando a Terra, vai para o inferno sofrer sem tréguas, nem favor, eternamente, enquanto que o causador da sua primeira falta, o agente provocador, goza de uma tal ou qual dilação e liberdade até o fim do mundo.

Como pode a justiça de Deus ser menos perfeita que a dos homens?

15. - Mas, ainda não é tudo: "Deus permite que ocupem lugar nesta criação, nas relações que com o homem deviam ter e das quais abusam perniciosamente." Deus podia ignorar, no entanto, o abuso que fariam de uma liberdade por ele mesmo concedida? Então, por que a concedeu? Mas nesse caso é com conhecimento de causa que Deus abandona suas criaturas à mercê delas mesmas, sabendo, pela sua onisciência, que vão sucumbir, tendo a sorte dos demônios. Não serão elas de si mesmas bastante fracas para falirem, sem a provocação de um inimigo tanto mais perigoso quanto invisível? Ainda se o castigo fora temporário e o culpado pudesse remir-se pela reparação!... Mas não: a condenação é irrevogável, eterna! Arrependimento, regeneração, lamentos, tudo supérfluo!

Os demônios não passam portanto de agentes provocadores e de antemão destinados a recrutar almas para o inferno, isto com a permissão de Deus, que antevia, ao criar estas almas, a sorte que as aguardava. Que se diria na Terra de um juiz que recorresse a tal expediente para abarrotar prisões? Estranha idéia que nos dão da Divindade, de um Deus cujos atributos essenciais são: - justiça e bondade soberanas!

E dizer-se que é em nome de Jesus, dAquele que só pregou amor, perdão e caridade, que tais doutrinas são ensinadas! Houve um tempo em que tais anomalias passavam despercebidas, porque não eram compreendidas nem sentidas; o homem, curvado ao jugo do despotismo, submetia-se à fé cega, abdicava da razão. Hoje, porém, que a hora da emancipação soou, esse homem compreende a justiça, e, desejando-a tanto na vida quanto na morte, exclama: - Não é, não pode ser tal, ou Deus não fora Deus.

16. - "O castigo segue por toda a parte os seres decaídos: o inferno está neles e com eles: nem paz nem repouso, transformadas em amargores as doçuras da esperança, que se lhes torna odiosa. A mão de Deus desferiu-lhes o castigo no ato mesmo de pecarem, e sua vontade galvanizou-se no mal.

"Tornados perversos, obstinam-se em o ser e sê-lo-ão para sempre.

"São, depois do pecado, o que é o homem depois da morte. A reabilitação dos que caíram torna-se também impossível; a sua perda é, desde então, irreparável, mantendo-se eles no seu orgulho perante Deus, no seu ódio contra o Cristo, na sua inveja contra a Humanidade.

"Não tendo podido apropriar-se da glória celeste pelo desmesurado da sua ambição, esforçam-se por implantar seu império na Terra, banindo dela o reino de Deus. O Verbo encarnado cumpriu, apesar disso, os seus desígnios para salvação e glória da Humanidade. Também por isso procuram por todos os meios promover a perda das almas pelo Cristo resgatadas: o artifício e a importunação, a mentira e a sedução, tudo põem em jogo para arrastá-las ao mal e consumar-lhes a perda.

"E como são infatigáveis e poderosos, a vida do homem com inimigos tais não pode deixar de ser uma luta sem tréguas, do berço ao túmulo.

"Efetivamente esses inimigos são os mesmos que, depois de terem introduzido o mal no mundo, chegaram a cobri-lo com as espessas trevas do erro e do vício; os mesmos que, por longos séculos, se fizeram adorar como deuses e que reinaram em absoluto sobre os povos da antigüidade; os mesmos, enfim, que ainda hoje exercem tirânica influência nas regiões idólatras, fomentando a desordem e o escândalo até no seio das sociedades cristãs. Para compreender todos os recursos de que dispõem ao serviço da malvadez, basta notar que nada perderam das prodigiosas faculdades que são o apanágio da natureza angélica. Certo, o futuro e sobretudo a ordem natural têm mistérios que Deus se reservou e que eles não podem penetrar; mas a sua inteligência é bem superior à nossa, porque percebem de um jacto os efeitos nas causas e vice-versa. Esta percepção permite-lhes predizer acontecimentos futuros que escapam às nossas conjeturas. A distância e variedade dos lugares desaparecem ante a sua agilidade. Mais prontos que o raio, mais rápidos que o pensamento, acham-se quase instantaneamente sobre diversos pontos do globo e podem descrever, a distância, os acontecimentos na mesma hora em que ocorrem.

"As leis pelas quais Deus rege o Universo não lhes são acessíveis, razão por que não podem derrogá-las, e, por conseguinte, predizer ou operar verdadeiros milagres; possuem no entanto a arte de imitar e falsificar, dentro de certos limites, as divinas obras; sabem quais os fenômenos resultantes da combinação dos elementos, predizem com maior ou menor êxito os que sobrevêm naturalmente, assim como os que por si mesmos podem produzir. Daí os numerosos oráculos, os extraordinários vaticínios que sagrados e profanos livros recolheram, baseando e acoroçoando tantas e tantas superstições.

"A sua substância simples e imaterial subtrai-os às nossas vistas; permanecem ao nosso lado sem que os vejamos, interessam-nos a alma sem que nos firam o ouvido. Acreditando obedecer aos nossos pensamentos, estamos no entanto, e muitas vezes, debaixo da sua funesta influência. As nossas disposições, ao contrário, são deles conhecidas pelas impressões que delas transparecem em nós, e atacam-nos ordinariamente pelo lado mais fraco. Para nos seduzirem com mais segurança, costumam servir-se de sugestões e engodos conformes com as nossas inclinações. Modificam a ação segundo as circunstâncias e os traços característicos de cada temperamento. Contudo, suas armas favoritas são a hipocrisia e a mentira."

17. - Afirmam que o castigo os segue por toda parte; que não sabem o que seja paz nem repouso. Esta asserção de modo algum destrói a observação que fizemos quanto ao privilégio dos que estão fora do inferno, e que reputamos tanto menos justificado por isso que podem fazer, e fazem, maior mal. É de crer que esses demônios extra-infernais não sejam tão felizes como os bons anjos, mas não se deverá ter em conta a sua relativa liberdade? Eles não possuirão a felicidade moral que a virtude defere, mas são incontestavelmente mais felizes que os seus comparsas do inferno flamífero. Depois, para o mau, sempre há um certo gozo na prática do mal, de mais a mais livremente. Perguntai ao criminoso o que prefere: se ficar na prisão, ou percorrer livremente os campos, agindo à vontade? Pois o caso é exatamente o mesmo.

Afirmam, outrossim, que o remorso os persegue sem tréguas nem misericórdia, esquecidos de que o remorso é o precursor imediato do arrependimento, quando não é o próprio arrependimento. "Tornados perversos, obstinam-se em o ser, e sê-lo-ão para sempre." Mas desde que se obstinam em ser perversos, é que não têm remorsos; do contrário, ao menor sentimento de pesar, renunciariam ao mal e pediriam perdão. Logo, o remorso não é para eles um castigo.

18. - "São, depois do pecado, o que é o homem depois da morte. A reabilitação dos que caíram torna-se, portanto, impossível."

Donde provém essa impossibilidade? Não se compreende que ela seja a conseqüência de sua similitude com o homem depois da morte, proposição que, ao demais, é muito ambígua.

Acaso provirá da própria vontade dos demônios? Porventura da vontade divina? No primeiro caso a pertinácia denota uma extrema perversidade, um endurecimento absoluto no mal, e nem mesmo se compreende que seres tão profundamente perversos pudessem jamais ter sido anjos de virtude, conservando por tempo indefinido, na convivência destes, todos os traços da sua péssima índole e natureza.

No segundo caso, ainda menos se compreende que Deus inflija como castigo a impossibilidade da reparação, após uma primeira falta. O Evangelho nada diz que com isso se pareça.

19. - "A sua perda é desde então irreparável, mantendo-se eles no seu orgulho perante Deus." E de que lhes serviria não manterem tal orgulho, uma vez que é inútil todo o arrependimento? O bem só poderia interessá-los se eles tivessem uma esperança de reabilitação, fosse qual fosse o seu preço. Assim não acontece, no entanto, e pois se perseveram no mal é porque lhes trancaram a porta da esperança. Mas por que lhes trancaria Deus essa porta? Para se vingar da ofensa decorrente da sua insubmissão. E, assim, para saciar o seu ressentimento contra alguns culpados, Deus prefere não somente vê-los sofrer, mas agravar o mal com mal maior; impelir à perdição eterna toda a Humanidade, quando por um simples ato de demência podia evitar tão grande desastre, aliás previsto de toda a eternidade!

Trata-se, no caso vertente, de um ato de demência, de uma graça pura e simples que pudesse transformar-se em estimulo do mal? Não, trata-se de um perdão condicional, subordinado a uma regeneração sincera e completa. Mas, ao invés de uma palavra de esperança e misericórdia, é como se Deus dissera: "Pereça toda a raça humana antes que minha vingança." E com semelhante doutrina ainda muita gente se admira de que haja incrédulos e ateus! E é assim que Jesus nos representa seu Pai? Ele que nos deu a lei expressa do esquecimento e do perdão das ofensas, que nos manda pagar o mal com o bem, que prescreve o amor dos nossos inimigos como a primeira das virtudes que nos conduzem ao céu, quereria desse modo que os homens fossem melhores, mais justos, mais indulgentes que o próprio Deus?

Os demônios segundo o Espiritismo
20. Segundo o Espiritismo, nem anjos nem demônios são entidades distintas, por isso que a criação de seres inteligentes é uma só. Unidos a corpos materiais, esses seres constituem a Humanidade que povoa a Terra e as outras esferas habitadas; uma vez libertos do corpo material, constituem o mundo espiritual ou dos Espíritos, que povoam os Espaços. Deus criou-os perfectíveis e deu-lhes por escopo a perfeição, com a felicidade que dela decorre. Não lhes deu, contudo, a perfeição, pois quis que a obtivessem por seu próprio esforço, a fim de que também e realmente lhes pertencesse o mérito. Desde o momento da sua criação que os seres progridem, quer encarnados, quer no estado espiritual. Atingido o apogeu, tornam-se puros espíritos ou anjos segundo a expressão vulgar, de sorte que, a partir do embrião do ser inteligente até ao anjo, há uma cadeia na qual cada um dos elos assinala um grau de progresso.

Do expresso resulta que há Espíritos em todos os graus de adiantamento, moral e intelectual, conforme a posição em que se acham, na imensa escala do progresso.

Em todos os graus existe, portanto, ignorância e saber, bondade e maldade. Nas classes inferiores destacam-se Espíritos ainda profundamente propensos ao mal e comprazendo-se com o mal. A estes pode-se denominar demônios, pois são capazes de todos os malefícios aos ditos atribuídos. O Espiritismo não lhes dá tal nome por se prender ele à idéia de uma criação distinta do gênero humano, como seres de natureza essencialmente perversa, votados ao mal eternamente e incapazes de qualquer progresso para o bem.

21. - Segundo a doutrina da Igreja os demônios foram criados bons e tornaram-se maus por sua desobediência: são anjos colocados primitivamente por Deus no ápice da escala, tendo dela decaído. Segundo o Espiritismo os demônios são Espíritos imperfeitos, suscetíveis de regeneração e que, colocados na base da escala, hão de nela graduar-se. Os que por apatia, negligência, obstinação ou má-vontade persistem em ficar, por mais tempo, nas classes inferiores, sofrem as conseqüências dessa atitude, e o hábito do mal dificulta-lhes a regeneração. Chega-lhes, porém, um dia a fadiga dessa vida penosa e das suas respectivas conseqüências; eles comparam a sua situação à dos bons Espíritos e compreendem que o seu interesse está no bem, procurando então melhorarem-se, mas por ato de espontânea vontade, sem que haja nisso o mínimo constrangimento. "Submetidos à lei geral do progresso, em virtude da sua aptidão para o mesmo, não progridem, ainda assim, contra a vontade." Deus fornece-lhes constantemente os meios, porém, com a faculdade de aceitá-los ou recusá-los. Se o progresso fosse obrigatório não haveria mérito, e Deus quer que todos tenhamos o mérito de nossas obras. Ninguém é colocado em primeiro lugar por privilégio; mas o primeiro lugar a todos é franqueado à custa do esforço próprio.

Os anjos mais elevados conquistaram a sua graduação, passando, como os demais, pela rota comum.

22. - Chegados a certo grau de pureza, os Espíritos têm missões adequadas ao seu progresso; preenchem assim todas as funções atribuídas aos anjos de diferentes categorias.

E como Deus criou de toda a eternidade, segue-se que de toda a eternidade houve número suficiente para satisfazer às necessidades do governo universal. Deste modo uma só espécie de seres inteligentes, submetida à lei de progresso, satisfaz todos os fins da Criação.

Por fim, a unidade da Criação, aliada à idéia de uma origem comum, tendo o mesmo ponto de partida e trajetória, elevando-se pelo próprio mérito, corresponde melhor à justiça de Deus do que a criação de espécies diferentes, mais ou menos favorecidas de dotes naturais, que seriam outros tantos privilégios.

23. - A doutrina vulgar sobre a natureza dos anjos, dos demônios e das almas, não admitindo a lei do progresso, mas vendo todavia seres de diversos graus, concluiu que seriam produto de outras tantas criações especiais. E assim foi que chegou a fazer de Deus um pai parcial, tudo concedendo a alguns de seus filhos, e a outros impondo o mais rude trabalho. Não admira que por muito tempo os homens achassem justificação para tais preferências, quando eles próprios delas usavam em relação aos filhos, estabelecendo direitos de primogenitura e outros privilégios de nascimento. Podiam tais homens acreditar que andavam mais errados que Deus?

Hoje, porém, alargou-se o circulo das idéias: o homem vê mais claro e tem noções mais precisas de justiça; desejando-a para si e nem sempre encontrando-a na Terra, ele quer pelo menos encontrá-la mais perfeita no Céu.

E aqui está por que lhe repugna à razão toda e qualquer doutrina, na qual não resplenda a Justiça Divina na plenitude integral da sua pureza.

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Que me expliquem então, por que uns nascem saudáveis e outros doentes? Porque uns nascem ricos e outros pobres? Qual o pai justo e bom que daria o melhor para um filho e pior para outro? Meu Deus! Isso não é justo! Já me tentaram explicar, mas, não me convencerão nunca! Escrevem tanto para não explicar nada. É só usar da inteligência que Deus nos deu para sentir no âmago do coração desarmando o espírito das paixões e ver que a Doutrina Espírita explica essas questões com responsabilidade. A verdade está na superfície não precisa mergulhar fundo para alcançá-la. Quanto tempo mais será preciso para que reconheçam que sempre estiveram errados. Até há pouco tempo os senhores diziam que as crianças recém nascidas que morriam antes do batismo iriam para um tal de limbo. Um local inventado que nunca existiu no Evangelho de Jesus. Não era céu nem inferno nem purgatório mudaram de posição tendo em vista o absurdo do dogma. Quanto tempo será preciso para um dia acreditem em reencarnação? Continuem não acreditando, um dia após sucessivas reencarnações passarão a acreditar. Por fim, o iluminado São Paulo também não acreditava no Cristianismo não é?

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Juízo final. Quer dizer que se houver juízo final o espírito ou a alma (como queiram) ficará fazendo o que em algum lugar esperando esse dia? Não acredito que Deus em Sua infinita sabedoria tenha criado espíritos para ficarem adormecidos, ou sei lá o que, esperando um julgamento que poderia se dar daqui a bilhões de anos??!! Não seria um desperdício para uma obra tão complexa que somos nós filhos de Deus!
Essa é a diferença entre nós espíritas e os de outras religiões. O nosso Deus é amor é sabedoria é perfeição e jamais pensaria uma barbaridade dessas. Raciocinem.

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Os Anjos Segundo o Espiritismo

Que haja seres dotados de todas as qualidades atribuídas aos anjos, não restam dúvidas. A revelação espírita neste ponto confirma a crença de todos os povos, mas nos faz conhecer, ao mesmo tempo, a origem e natureza de tais seres.

As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimentos e sem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirirem tudo o que lhes falta. O trabalho é o meio de aquisição, e o fim - que é a perfeição - é para todos o mesmo.

Conseguem-no mais ou menos prontamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços; todos têm os mesmos graus a percorrer, o mesmo trabalho a concluir. Deus não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto é justo, e, visto serem todos seus filhos, não têm predileções. Ele lhes diz: Eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; só ela pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem; tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte.

Deus, portanto, não criou o mal; todas as suas leis são para o bem, e foi o próprio homem quem criou esse mal, infringindo essas leis; se ele as observasse, escrupulosamente, jamais se desviaria do bom caminho.

Entretanto, a alma, qual criança, é inexperiente nas primeiras fases da existência, e por isso ela é falível. Não lhe dá Deus essa experiência, mas dá-lhe meios de adquiri-la. Assim, um passo em falso, no caminho do mal, é um atraso para a alma, que, sofrendo-lhe as conseqüências, aprende à sua custa o que importa evitar. Deste modo, pouco a pouco, se desenvolve, aperfeiçoa e avança na hierarquia espiritual até ao estado de Espírito puro ou anjo.

Os anjos são, pois, as almas dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fruindo em sua plenitude a prometida felicidade. Antes, porém, de atingir o grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento, felicidade que consiste, não na ociosidade, mas nas funções que a Deus apraz confiar-lhes, e por cujo desempenho se sentem felizes, tendo ainda nele um meio de progresso.

A Humanidade não se limita à Terra; ela habita inúmeros mundos que no Espaço circulam; já habitou aqueles que desapareceram e habitará os que se formarem. Tendo-a criado de toda a eternidade, Deus jamais cessa de criá-la. Muito antes que a Terra existisse e por mais remota que a suponhamos, outros mundos haviam, nos quais Espíritos encarnados percorreram as mesmas fases que ora percorrem os de mais recente formação, atingindo seu fim antes mesmo que houvéramos saído das mãos do Criador.

De toda a eternidade tem havido, pois, Espíritos puros ou anjos; mas, como a sua existência humana se passou num infinito passado, eis que os supomos como se tivessem sido sempre anjos de todos os tempos.

Realiza-se assim a grande lei de Unidade da Criação; Deus nunca esteve inativo e sempre teve Espíritos puros, experimentados e esclarecidos, para transmissão de suas ordens e direção do Universo, desde o governo dos mundos até os mais ínfimos detalhes. Tampouco teve Deus necessidade de criar seres privilegiados, isentos de obrigações; todos, antigos ou novos, adquiriram suas posições na luta e por mérito próprio; todos, enfim, são filhos de suas obras.

, desse modo, completa-se com igualdade a Soberana Justiça do Criador.

Texto retirado do livro “O Céu e o Inferno - A Justiça Divina Segundo o Espiritismo” – Allan Kardec

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Trexos de um diálogo de um espírita respondendo a um católico.

"Bom, se o rei Saul foi à procura de uma necromante, para uma consulta aos mortos, é porque com certeza, ele Saul e os de sua época, acreditavam nisso, o que já é um fato a favor da realidade da comunicação com os mortos.

Já ouvimos, por várias vezes, essa argumentação que você usa de que um espírito estava se passando por Samuel, entretanto até o presente momento ninguém ainda nos trouxe uma prova bíblica de que os espíritos enganadores ou demônios, como queira, vêm em lugar dos espíritos que evocamos.

Favor nos mostrar a passagem em que Samuel, quando vivo, orienta a Saul a banir a prática da necromancia. Até onde sabemos Saul realmente fez isso, mas de vontade própria, já que não consta que tenha feito por sugestão de alguém. Necromancia, como você deve muito bem saber, é a evocação dos mortos para fins de adivinhação, coisa que nós espíritas não fazemos, com certeza. Mas veja que interessante: se os mortos não se comunicam então o por quê da proibição? Poderia nos explicar? Mas, antes, por favor nos explique a pergunta anterior, já que poderá justificar como sendo para não sermos enganados por “espíritos enganadores”

Outra coisa que nos deixa encafifados é: se Deus permite aos espíritos enganadores se manifestarem, porque motivo não permitiria, em contrapartida, que os bons espíritos também o façam. Poderia nos explicar se há algum motivo que justifique isso ou o desejo de Deus é que sejamos enganados mesmo?

Sim, podemos lhe afirmar que um profeta de Deus se manifesta. Além de Samuel, podemos trazer a você a prova não só de mais um, mas de dois que se manifestaram. Foram Moisés e Elias, que, muito tempo depois de mortos, apareceram a Jesus no monte Tabor, fato testemunhado por Pedro, Tiago e João. O mais interessante nesse episódio é que aquele que nos traz a notícia de que é proibido comunicar com os mortos aparece depois de morto, ironia do destino, não é mesmo? E se você dizer que Elias não morreu foi arrebatado, perguntaremos: se “Deus é espírito” (Jo 4,24), “O espírito que dá vida a carne de nada serve” (Jo 6,63), “... a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus” (1Cor 15,50) e, finalmente, a fala taxativa de Jesus “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu: o Filho do Homem” (Jo 3,13), o arrebatamento do corpo físico não irá contrariar tudo isso?

E considerando que Jesus disse que “Deus é Deus de vivos”, por que motivo os nossos “mortos”, vivos na outra dimensão, não poderiam se comunicar conosco? A proibição que apresenta é de Deus ou de Moisés? Se afirmar que é de Deus, por que então ela não consta entre os Dez Mandamentos?

Particularmente achamos incoerentes os que se apóiam na Bíblia para dizer que a comunicação com os mortos é proibida, já que não fazem a mínima questão de cumprir inúmeras outras passagens bíblicas. Daí não vemos nenhuma razão para querer que nós outros a cumpramos, já que não fazem o mesmo. Normalmente indicamos para começar, por exemplo, punindo com a morte aos que desobedecem às determinações contidas em Ex 21, 12-17; 22,18; 31,14. Poderemos, se quiser, enumerar outras tantas que você nem faz o cálculo da quantidade de coisas, até absurdas, que os que se baseiam na Bíblia não fazem a mínima questão de seguir.

Também não conseguimos entender porque motivo o espirito enganador teria repreendido a Saul por ter sido evocado, qual a lógica, pois se, conforme você diz, ele era um espirito enganador estava ali um bom momento para praticar mais uma de suas mentiras, já que é assim que você crê que as coisas acontecem.

A questão que você aborda sobre Samuel subir, relacionando esse fato ao inferno, demonstra que você talvez não tenha conhecimento que naquela época se acreditava que todos ao morrerem iriam para o hades ou xeol (sheol), daí a cultura da época só poderia admitir um espírito voltando, para se comunicar com alguém, subindo e não descendo.

Esse conceito de inferno é coisa que buscaram na cultura persa. E mais uma pergunta: poderia nos indicar em qual passagem encontramos Deus criando o inferno? Se ele existe, como parece acreditar, por que motivo Deus ao estabelecer os Dez Mandamentos não diz que os que não os cumprissem iriam para o inferno? Será que Ele mandou gente para o inferno sem lhes dar o direito de saber que suas ações os levariam para lá? E como fica “...a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2, 13) e “...o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca”. (Mt 18,14). Mas veja lá, nos Dez Mandamentos, se logo após eles serem instituídos, se há alguma coisa de ir para o inferno, ou se tudo, benções e maldições, não estão relacionadas a situações terrenas. Daí, podemos concluir, sem medo de errar, que o inferno é aqui na terra mesmo, já que a Terra é um planeta inferior e é por aqui mesmo que pagamos os nossos débitos perante a justiça divina, quando voltamos em nova encarnação para saldar ou pagar pelos nossos erros.

Quanto ao “vejo um deus”, retiramos de nosso texto; Comunicação com os mortos na Bíblia:

Algumas Bíblias ao invés de “vejo um espírito subindo da terra” traduzem por “vejo um deus subindo da Terra”. A frase dessa maneira nos é explicada:

“A palavra hebraica para significar Deus, também designa os seres supra-humanos e, como neste caso, o espírito dos mortos. Havia a convicção de que os espíritos dos mortos estavam encerrados no sheol, e este se situaria algures por baixo da terra” (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 392).

Observar que os tradutores dessa Bíblia explicam essa questão muito bem, só que muitas pessoas não sabem disso ou nem se preocupam em descobrir, pois acham que não existe verdade fora daquilo em que acreditam e o que lêem é somente a Bíblia produzida em seu meio religioso.

E ainda poderemos constatar que a Bíblia mesmo afirma que Samuel mesmo depois de morto profetizou, basta ler Eclesiástico 46,20, livro esse que encontramos em bíblias católicas que é tanto a palavra de Deus quanto às protestantes."

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Espírita x católico

"Por conhecer as várias classificações em que se situam os espíritos, nós, mais que qualquer um adepto das correntes religiosas tradicionais, sabemos como lidar com eles. Mas como se diz popularmente “só lobos caem em armadilhas de lobos” a nós não engana, já que temos conhecimento suficiente para separar o joio do trigo. E mais uma pergunta: na Bíblia, de ponta a ponta, se vê manifestação de espíritos, poderia nos dizer quem são eles? São seres criados por Deus ou são os espíritos humanos que viveram encarnados aqui na Terra? Jesus, dizendo a respeito da ressurreição afirma: que na ressurreição nós seremos iguais aos anjos do céu (Mt 22,30), daí podemos concluir que os anjos são espíritos de seres humanos que já morreram ou estaríamos forçando a interpretação? Teria ou explicação melhor para nos dar?

Por outro lado, se alteramos o sentido, como diz, aqui você também não deixa por menos, veja:

No versículo 16, consta: “Então disse Samuel”, não está conforme você afirma que aconteceu, pois para isso deveria estar: “Então o espírito enganador, que se passava por Samuel, disse”. Seguindo, versículo 17: “O Senhor te fez como por meu intermédio te disse” que é uma afirmativa absolutamente verdadeira, estranha para um espírito enganador, pois Samuel quando vivo, de fato, já havia advertido a Saul que Deus lhe tiraria o reinado (1Sm 13,13-14; 1Sm 15, 26). Um pouco mais à frente, no versículo 20, lemos: “Imediatamente Saul caiu estendido por terra, tomado de grande medo por causa das palavras de Samuel”, deveria estar, para ser conforme você diz que é, assim: Imediatamente Saul caiu estendido por terra, tomado de grande medo por causa das palavras do espírito enganador que se passava por Samuel.

Entender a Bíblia de modo diferente, por temos conhecimentos de uma outra realidade que ainda não é aceita por muitos é uma coisa, mas mudar completamente o sentido do texto como você faz é outra.

Você sabe que, como espírita, também sabemos que existem os espíritos bons, cuja missão é nos ajudar em nossa caminhada evolutiva, conforme a vontade de Deus."

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