Comunidade da Biblia Catolica

Conhecendo a Palavra de Deus

ARNOLDO

A VERDADE NÃO REVELADA

O documento que estar fazendo os evangelicos - protestantes - verem que os católicos estão certos e que eles, os protestantes, estão errados. Que nos somos os verdadeiros cristão e eles, os evangelicos, os usurpadores do cristianismo:

DEUS É IDOLATRA?

Não! Então, porque mandou que Moisés fizesse a imagem de uma serpente de bronze?

“Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida”. (Números 21, 4-9).

“Como Moisés levantou a serpente no deserto. Assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todos que nele crer tenha a vida eterna”. (João 3, 14-21).

Obs: Quem usa uma cruz vazia, sem Jesus Cristo nela, comete o erro de se negar a olhar para aquele a quem as Sagradas Escrituras falou que seria levantado, como o foi a serpente no deserto que todos olhavam para ser curado da mordida de cobra - picada - Olhe para Jesus na cruz, como os hebreus olhavam para a serpente de bronze que Moisés fez e fixou-a sobre o poste. Porque, a cruz vazia é apenas um instrumento de morte. Já a cruz com Jesus Cristo nela: é símbolo de nossa salvação. Pois, também está escrito: “Com efeito, a linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que estão sendo salvos, para nós, ela é poder de Deus. Pois, está escrito; eu destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes”. (I Coríntios 1, 18-20).

E mais tema dizer a bíblia, para maior entendimento da palavra de Deus?

“Nós, porém, pregamos um Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos, mas para os que são chamados, tanto judeus quanto gregos, ele é Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. (I coríntios 1, 23-24).

E para dissipar toda e, qualquer duvida a respeito da cruz de Jesus Cristo a bíblia declara?

“Eu, por mim, nunca vou querer outro titulo de gloria que não seja a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por ela, o mundo está crucificado para mim, como eu para o mundo”. (Gálatas 6, 14).

Vemos claramente, na passagem do livro de Gálatas, que não pode haver outro titulo de gloria para aquele que segue a Jesus, que a cruz onde ele pode ser visto, como era vista a serpente de bronze, pelos hebreus.

Os irmãos protestantes - que no Brasil são conhecido como, evangélicos - devem também lembrar que Deus mando que Moisés fizesse a imagem de dois anjos - querubins - para serem postas sobre a Arca da Aliança, onde estavam guardados Dez Mandamentos da Lei de Deus, como pode ser lido em Êxodos 25, 18. E, mais uma vez volto a perguntar? Deus é idolatra, por ter ordenado que Moisés fizesse a imagem de uma serpente para curar os hebreus da picada de cobras e por ter mandado que ele fizesse a imagem de dois querubins para serem colocadas sobre a Arca da Aliança? Por certo que não! Pois, quando Deus falou para o povo hebreu que não adorasse a ídolos e não fizesse para si, imagens deles, estava se referindo unicamente aos falsos deuses do Egito. Tanto é verdade que ele advertiu ao povo, avisado para que eles não construíssem para si, imagem daquilo que estava nas nuvens do céu - uma clara referencia aos desuses do Egito, em forma de pássaros - que não fizesse para si, imagens das coisas que caminhavam sobre a terra - os deuses do Egito em forma de cabras, bois, gatos e outros mais - que não fizessem para si, imagens das coisas que se moviam nas águas dos mares - os desuses do Egito em forma de crocodilo, de hipopótamo e outras coisas mais. Os falsos deuses do Egito, que vocês poderão ver, nas fotos abaixo:

“Não farás para ti ídolos ou coisas alguma que tenha a forma de algo que se encontre no alto do céu...”. (êxodo 20, 4):




O íbis é uma ave pernalta de bico longo e recurvado. Existe uma espécie negra e outra de plumagem castanha com reflexos dourados, mas era o íbis branco, ou íbis sagrado, que era considerado pelos egípcios como encarnação do deus Thoth.



O deus nacional do Egito, o maior de todos os deuses, criador do universo e fonte de toda a vida, era o Sol, objeto de adoração em qualquer lugar. A sede de seu culto ficava em Heliópolis (On em egípcio), o mais antigo e próspero centro comercial do Baixo Egito. O deus-Sol é retratado pela arte egípcia sob muitas formas e denominações. Seu nome mais comum é Rá e podia ser representado por um falcão.


“...embaixo na terra...”. (Êxodo 20, 4):







Boi sagrado que os antigos egípcios consideravam como a expressão mais completa da divindade sob a forma animal e que encarnava, ao mesmo tempo, os deuses Osíris e Ptá. O culto do boi Ápis, em Mênfis, existia desde a I dinastia pelo menos. Também em Heliópolis e Hermópolis este animal era venerado desde tempos remotos. Antiga divindade agrária simbolizava a força vital da natureza e sua força geradora.

Uma gata ou uma mulher com cabeça de gata simbolizava a deusa Bastet e representava os poderes benéficos do Sol. Seu centro de culto era Bubástis, cujo nome em egípcio - Per Bast - significa a casa de Bastet. Em seu templo naquela cidade a deusa-gata era adorada desde o Antigo Império e suas efígies eram bastante numerosas, existindo, hoje, muitos exemplares delas pelo mundo. Quando os reis líbios da XXII dinastia fizeram de Bubástis sua capital, por volta de 944 a.C., o culto da deusa tornou-se particularmente desenvolvido.


“...ou nas águas debaixo da terra.”. (Ê xodó 20, 4):




Um crocodilo ou um homem com cabeça de crocodilo representava o deus Sebek, uma divindade aliada do implacável deus Seth. Seu centro de culto era Crocodilópolis, na região do Faium, onde o animal era protegido, nutrido e domesticado. Um homem ferido ou morto por um crocodilo era considerado privilegiado. A adoração desse animal foi, sobretudo importante durante o Médio Império.




Tueris era a deusa-hipopótamo que protegia as mulheres grávidas e os nascimentos. Ela assegurava fertilidade e partos sem perigo. Adorada em Tebas, é representada em inúmeras estátuas e estatuetas sob os traços de um hipopótamo fêmea erguido, com patas de leão, de mamas pendentes e costas terminadas por uma espécie de cauda de crocodilo. Além de amparar as crianças, Tueris também protegia qualquer pessoa de más influências durante o sono.

E, para que não haja mesmo qualquer dúvida de que Deus se referia aos falsos deuses do Egito, ao pedir que o povo não praticasse idolatria, apresentamos um trecho do livro de Josué, que foi quem substitui Moises, após a sua morte:

“Agora, pois, temei o Senhor e o servi-o com inteligência e fidelidade. Afastai os deuses aos quais vossos pais serviram do outro lado do rio e no Egito, e servi ao Senhor”. (Josué 24, 14”.


E para termos mais certeza de que Deus realmente falava dos falsos deuses do Egito, vejamos o que também fala, 8, 8-9-10:

“Filho do homem, disse-me ele, fura a muralha “ quando a furei, divisei uma porta. “Aproxima-te, diz ele, e contempla as horríveis abominações a que se entregam aqui”. Fui até ali para olhar: enxerguei aí toda espécie de imagens de répteis e animais imundos e, pinturas em volta da parede, todos os ídolos da casa de Israel”.

Como podemos verificar, nessa passagem bíblica? Os sacerdotes estavam a adorar os falsos deuses em forma de répteis e animais, que Deus havia proibido que fossem adorados. Tanto é, que Deus enviou o castigo e destruiu os sacerdotes e os que praticavam aquela adoração abominável.

Por sempre fazer livre interpretação das Sagradas Escrituras, os protestantes - evangélicos - sempre cometem erros abomináveis, grotescos e perigosos, contra o Evangelho de Cristo. Errais, não compreendendo as escrituras, nem o poder de Deus”. (Mateus 22, 29).

“Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento - verdadeiros idolatras - terá herança no Reino de Cristo e de Deus.”. (Efésios 5, 5).

Obs. Dissoluto significa: devasso, corrupto e libertino.

O VINHO

Os protestantes - evangélicos - costumam afirmar que é proibido beber vinho, e correm dele, como o diabo, da cruz. Será que eles, os protestantes, nunca leram que Jesus bebia vinho? E que o seu primeiro milagre foi transformar água em vinho? E que na Santa Ceia, Jesus Usou vinho? Não venham me dizer agora, os protestantes - evangélicos - que não sabia dessas coisas. E que, não era do seu conhecimento que o vinho do tempo de Cristo embriagava, tal qual o vinho de hoje. Pois, como eles devem saber - se realmente se deram ao trabalho de ler a bíblia: - que Noé se embriagou, que Lot foi embriagado por suas duas filhas, que queriam engravidar dele, para deixar descendência sobre a terra, que Davi se embriagou e o próprio Jesus foi chamado de beberrão. Se Jesus aprovava o vinho e o bebia, porque então tem quem o chame de PROIBIDO? Porque você está proibido de beber vinho, se Jesus o bebia e a palavra de Deus diz que é proibido proibir?

“Se em Cristo estais mortos aos princípios deste mundo, por que ainda voz deixais impor proibições, como se vivêsseis no mundo? Não pegues,! Não toqueis! Proibições estas que se tornam perniciosas pelo uso que dela se faz, e que não passam de normas e doutrinas humanas. Elas podem sem dúvida, dar a impressão de sabedoria enquanto exibem cultos voluntários, de humildade e austeridade corporal. Mas não tem nenhum valor, e só servem para satisfazer a carne”. (Colossenses 2, 20).

Jesus na Santa Ceia tomou vinho. ( I Coríntios 11, 23-26).

O primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho. (João 2, 1-12).

Como pudemos ver: na época de Noé e de Jesus, como até aos dias de hoje, o vinho sempre embriagou.

“Noé, que era agricultor, plantou uma vinha. Tendo bebido vinho, embriagou-se”. (Gêneses 9, 20).

“Não continue a beber só água, mas toma também um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes indisposições”. (I Timóteo 5, 23).
Uma recomendação bíblica que não pode ser deixada de lado, por se achar que é proibido beber vinho.



JESUS TEVE IRMÃOS?

É comum, entre os protestantes - evangélicos - afirmar que Jesus Cristo teve irmãos de sangue. Porém, Em nenhuma parte da bíblia se encontra escrito que Maria e José tiveram filhos - visto que Jesus era filho legitimo de Maria, mas, filho adotivo de José, pois fora concebido pelo Espírito Santo, pois não nasceu de homem - Em defesa da verdade e das Sagradas Escrituras, vamos mais uma vez usar a palavra de Deus, para mostrar que os apóstolos e os demais que seguiam a Jesus, jamais foram seus irmãos de sangue. Começaremos pelo apostolo Tiago, que os protestantes - evangélicos - e outros, teimam em afirmar ser irmão de sangue de Jesus:

“Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estava numa barca, consertando as redes”. (Marcos 1, 14-20).

Como pudemos ver, através dos textos bíblicos: Os apóstolos Tiago e João eram irmãos e filhos de Zebedeu. Portanto, eles jamais poderiam ser filhos de Maria e de José.

“Tu és Simão, filho de João, será chamado de Cefas (que quer dizer pedra)¨. (João 1,42)”.

Se a bíblia é clara quando afirma que os apóstolos Tiago e João têm como pai, Zebedeu e o apostolo Pedro, tem como pai, a João, se torna impossível que eles sejam irmãos de sangue de Jesus. E quem assim acredita e prega, estará contradizendo as Sagradas Escrituras, a bíblia. Mas então, porque Jesus falou que eles eram seus irmãos? Lendo Hebreus 2, 10-13, podermos descobrir o porque dele ter falado isto:

“Aquele para quem e por quem todas as coisas existem, desejando conduzir à gloria numerosos filhos, deliberou elevar à perfeição, pelo sofrimento, o autor da salvação deles, para que santificador e santificados formem um só todo. Por isso Jesus não hesita em chamá-los de irmãos, dizendo: anunciarei teu nome a meus irmãos no meio da assembléia cantarei os teus louvores”. (Salmo 21,23).

E outra vez: “Quanto a mim, ponho nela a minha confiança”. (Isaias 8,17). E: “Eis-me aqui, eu e os filhos que Deus me deu”. (Isaias 8, 18).


O ARREBATAMENTO

Os protestantes - evangélicos - costumam pregar que o arrebatamento acontecerá antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que é um engano, mais um ensinamento protestante, que não consta das Sagradas Escrituras. Vejamos o que diz a bíblia, a respeito do arrebatamento e como e, quando ele se dará:

“Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança. Se, com efeito, nós cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também, aqueles que morreram, Deus, por causa deste Jesus, com Jesus os reunirá. Eis o que dizemos, segundo uma palavra do Senhor: nós os vivos, que houvermos ficado até a vinda do Senhor, não precederemos de modo nenhum os que morreram. Porque o Senhor em pessoa, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao toque da trombeta de Deus, descerá do céu: então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; em seguida nós, os vivos que tivermos ficado, seremos arrebatados com eles sobre as nuvens, ao encontro do Senhor, nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, confortais-vos uns aos outros com este ensinamento.” (I Tessalonicenses 4, 13-18).

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O ASSASSINATO DE ELZA FERNANDES


Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Nas reuniões de comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que se diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo adolescente. Era o próprio Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim, o "Miranda".

Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de "Miranda" e passou a ser conhecida, no Partido, como "Elza Fernandes" ou, simplesmente, como a "garota". Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma honra. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.

Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fez com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios aparelhos.

Nos primeiros dias de janeiro de 1936, "Miranda" e "Elza" foram presos em sua residência, na Avenida Paulo de Frontin, 606, Apto 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a "garota" pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de "Miranda" e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, "Elza" foi liberada. Ao sair, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, aprazível e isolada praia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.

Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para "Miranda" surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Só nesse momento, o Partido tomava ciência de que "Miranda" havia sido preso. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico. Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era "Miranda".

As investigações do "Tribunal Vermelho" começaram. Honório descobriu que "Elza" estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por "Miranda", no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a "garota". Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem "Elza" estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de "Miranda" para a "garota".

Reuniu-se o "Tribunal Vermelho", composto por Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales. Luiz Carlos Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O "Tribunal" seguiu o parecer do chefe e a "garota" foi condenada à morte. Entretanto, não houve a desejada unanimidade: Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais dirigentes vacilassem em fazer cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o "Miranda".

A reação do "Cavaleiro da Esperança" foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do "Tribunal", tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença. Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:

"Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária." ... "Por que modificar a decisão a respeito da "garota"? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido...?" ... "Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar..." ... "Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião."
Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos "tribunos vermelhos", respondeu a Prestes:

"Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P."

Decidida a execução, "Elza" foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier ("Abóbora"), para uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães ("Milionário"), Adelino Deycola dos Santos ("Tampinha"), Francisco Natividade Lira ("Cabeção") e Manoel Severino Cavalcanti ("Gaguinho").

Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a "garota", que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de "Elza", com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.

Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista.

Poucos dias depois, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier. Ironicamente, iria passar por angústias semelhantes, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista.

Alguns anos mais tarde, em 1940, o irmão de "Elza", Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara "Miranda" na tentativa de assassinato do "Dino Padeiro", participou da exumação do cadáver. O bilhete que escreveu a "Miranda", o amante de sua irmã, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:

"Rio, 17-4-40"

Meu caro Bonfim
Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas.
Do teu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio".

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O ASSASSINATO DO PROFESSOR

FRANCISCO JACQUES MOREIRA DE ALVARENGA

Em 1973, as organizações comunistas que participavam da luta armada estavam iniciando o caminho do fim. A ação enérgica dos órgãos de segurança intimidava e restringia os movimentos dos seus militantes. Muitos foram presos. Muitos morreram no momento da prisão. A maioria, entretanto, fugiu para o exterior.

Tudo isso e mais a frustração pela luta armada não haver mobilizado a população como pretendiam tornaram moribundas as poucas organizações que ainda atuavam e seus dirigentes debatiam-se entre a ânsia de fugir e a ainda, mas pouca, vontade de atuar. De qualquer modo, viviam escondidos nos aparelhos e realizavam poucas ações armadas, restritas àquelas destinadas a colher fundos para sustentar seus militantes.

Uma dessas organizações era a Ação Libertadora Nacional (ALN), oriunda das idéias de Marighella e que, pregando "a ação pela ação", tornara-se uma das mais violentas.

A outra era a Resistência Armada Nacionalista (RAN), uma organização que, com o nome inicial de Grupo Independência ou Morte (GIM), surgira dos escombros do antigo Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), de Brizola. Uma estranha organização carioca, que ousava usar termos do tipo "nacionalista", que fugia aos clássicos padrões do marxismo-leninismo e cujas siglas, sucessivamente, foram as curiosas "GIM" e "RAN".

A ALN era a "grande" organização, a qual, entretanto, já havia perdido seus dois maiores líderes, Marighella e Toledo. A RAN era uma diminuta organização, que ainda tinha o seu líder, o pequenino e serelepe Amadeu de Almeida Rocha ("Augusto", "Valter"), que se orgulhava de ter sido preso na Guerrilha de Caparó e que gostava de ser chamado de "Comandante Amadeu".

O que as unia, entretanto, era a vontade de fazer a revolução e a opção pela luta armada. Enquanto que, em 1973, a ALN já se debatia pelas contínuas "quedas" de seus líderes, a RAN, intacta e incólume, decidia iniciar, naquele começo de ano, suas ações armadas.

Em nossa história, havia dois amigos:

- um era Merival de Araújo ("Zé"), militante da ALN, participante de diversas ações armadas, dentre as quais o assassinato do delegado Octávio Gonçalves Moreira Júnior ("Otavinho"), em Copacabana, em 25 de fevereiro de 1973;

- o outro era Francisco Jacques Moreira de Alvarenga ("Bento"), militante da RAN e mais conhecido como professor Jacques.

A amizade entre ambos havia começado quando Jacques era o professor de Merival. Naquela época, eles constituiam-se na ligação entre a ALN e a RAN.

A nossa história começa na manhã de 22 de fevereiro de 1973, quando a RAN, sem armamento suficiente para desencadear as ações violentas, decidiu roubar as armas da 16ª Inspetoria da então existente Guarda Noturna, localizada na Rua Uruguai, 380, Loja 50, na Tijuca, Rio de Janeiro.

Quatro militantes lotaram um carro para o assalto: José Sergio Vaz ("Luiz", "Marcelo") - comandante da ação - Hermes Machado Neto ("Antonio", "Julio"), Jefferson Santos do Nascimento ("Santos") e José Flavio Ramalho Ortigão ("João") que, por ser o motorista do "Comandante Amadeu" - e da ação - passou a ser conhecido como "Fittipaldi".

A indigência da RAN criava simbolismos: a única pistola .45 existente ficava com o comandante da ação. Durante a incursão, Jefferson disparou acidentalmente a sua arma, provocando uma fuga precipitada. Foram roubados apenas dezenove revólveres.

Durante a retirada, uma cena cômica: os assaltantes, de carro, foram perseguidos algum tempo por um guarda-noturno de bicicleta. Naquela ocasião, Jefferson disparou novamente, tentando afugentar o perseguidor. Após a ação, Hermes Machado e Jefferson saltaram do carro no ponto final do ônibus 410, na Tijuca, enquanto que Ramalho Ortigão e José Sérgio Vaz seguiram até a parte dos fundos do Hospital Pedro Ernesto, onde entregaram uma pasta com as armas ao "Comandante Amadeu". Em seguida o carro foi abandonado no Maracanã.

O assalto à Guarda Noturna foi motivo de euforia na organização. Como crianças travessas, os "revolucionários" Amadeu Rocha e Júlio Ferreira Rosas Filho ("Teixeira"), um professor da Faculdade Estácio de Sá, ligavam para todos os conhecidos mandando que comprassem os jornais e identificassem o assalto como sendo de autoria da RAN. Amadeu chegou a preparar correspondência para os jornais, onde a organização assumia a responsabilidade da ação.

Cinco dias depois, os mesmos quatro militantes, já devidamente armados e reforçados por Sandra Lazzarini ("Tania", "Valeria"), médica residente do Hospital Pedro Ernesto, assaltaram a residência de um médico na Rua Senador Vergueiro, no Flamengo, de onde levaram dinheiro e ações ao portador.

Foi a última ação armada da RAN. Seus militantes, cometendo diversos erros e não afeitos à clandestinidade, foram sendo presos um a um, até que, no dia 5 de abril, "caiu", na agência Centro da Caixa Econômica Federal, o "Comandante Amadeu". Amadeu, além do grande constrangimento causado à sua esposa, Alice, que, na prisão, ficou conhecendo Vera Lúcia, sua "noiva", foi uma grande decepção para todos aqueles que o tinham como um líder. Da arrogância e da autoconfiança de "Valter" ou de "Augusto", discípulo aplicado da escola de Leonel Brizola, o tutor de Caparaó, nada restou. Desprovido de coragem física e moral, Amadeu Rocha acovardou-se de forma tão humilhante, que se tornou fator de "desbundamento" de vários militantes da RAN que pretendiam manter o "papel digno do revolucionário na prisão".

O que restava da RAN, até o dia 5 de abril de 1973, foi destruído pela delação de Amadeu de Almeida Rocha. Mais tarde, já cumprindo pena, o "grande líder" da RAN denunciaria as "torturas" que teria sofrido, procurando justificar a tibieza de seu comportamento na prisão.

Mas ainda menos sorte teve o professor Jacques. Antes de sua prisão, no início de maio, recebera de Julio Ferreira Rosas Filho um pacote, contendo algumas armas do lote roubado da Guarda Noturna, com a orientação de desfazer-se dele. O professor Jacques passou as armas para seu amigo da ALN, Merival Araújo.

Durante os seus depoimentos na polícia, Jacques "abriu" um contato que teria com Merival, que, de forma previsível, em se tratando de terrorista da ALN, foi morto ao reagir à prisão.

Isso foi muito duro para a ALN. Além de estar acuada e de ter perdido seus principais líderes, sofria uma nova grande perda, agora por culpa de um "professorzinho" de uma "organizaçãozinha" que tinha nome de um "bicho do brejo".

A liberação do professor, um mês depois de ter sido preso, açulou a ALN, que, naquele ano, já havia "justiçado" duas pessoas. Montado um tribunal revolucionário, o Professor Jacques foi condenado à morte.

A militante Maria do Amparo Almeida Araújo, irmã do também militante da ALN Luiz Almeida Araújo, participou dos levantamentos dos hábitos do professor.

Em 28 Jun 73, às 1115h, o companheiro de Maria do Amparo, Thomaz Antonio da Silva Meirelles Netto ("Luiz") - um dos mais violentos militantes da ALN e que também participara do assassinato do delegado Otavinho - chefiando mais dois militantes da ALN, nunca identificados, rendeu o porteiro do Colégio Veiga de Almeida da Rua São Francisco Xavier, na Tijuca. Invadiram a escola e foram encontrar o professor Jacques sentado numa sala de aula, redigindo uma prova para os vestibulandos do curso MCB. Quatro tiros de pistola .45 mataram o professor, menos de três semanas depois de ter sido solto. Um cadáver, muito sangue no chão e uma das paredes pichadas com a sigla "ALN", foi o que encontraram os policiais ao chegarem no local.

Para os terroristas, o "tribunal revolucionário" detinha o poder da vida e da morte e esse assassinato era um "justiçamento". Na realidade, foi mais um crime dos comunistas brasileiros.

F. Dumont


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ASSASSINATO DO MARINHEIRO INGLÊS DAVID A. CUTHBERG
Em 5 de fevereiro de 1972, chegava ao porto do Rio de Janeiro uma força-tarefa da Real Marinha Inglesa, em comemoração ao sesquicentenáio da Independência do Brasil. Os marinheiros, como em todo porto, estavam ávidos para conhecer a noite do Rio, um sábado bafejado pelo calor do verão e pelos primeiros sons de samba, que antecediam o carnaval carioca.>

Liberado da faina do navio H.M.S.Triumph, o marinheiro inglês David A. Cuthberg, de 19 anos, acompanhado de seu colega Paul Stoud, tomou, na Praça Mauá, o táxi dirigido por Antonio Melo, que os levaria para conhecer a mundialmente famosa praia de Copacabana.

Eles não sabiam que, desde a chegada na praça, estavam sendo observados por oito terroristas, dissimulados dentro de dois carros.

Na esquina da Avenida Rio Branco com Visconde de Inhaúma, à porta do Hotel São Francisco, um dos veículos emparelhou com o táxi e David foi atingido por uma rajada de metralhadora, disparada por Flávio Augusto Neves Leão de Salles. Imediatamente, Lígia Maria Salgado da Nóbrega jogou para dentro do táxi panfletos que falavam em vingança contra os ingleses por terem massacrado os irlandeses do norte. O "Comando da Frente" acabou com o sonho de David em conhecer Copacabana, "justificando plenamente" seu ato pela solidariedade à luta do IRA contra os ingleses.

A ação criminosa, tachada como "justiçamento", foi praticada pelos seguintes oito terroristas, integrantes de uma frente formada por três organizações comunistas: pela ALN, Flávio Augusto Neves Leão de Salles ("Rogério", "Bibico", "Brutus", "Ali", "José", "Zeca"), Antonio Carlos Nogueira Cabral ("Chico", "Alfredo"), Aurora Maria do Nascimento Furtado ("Marcia", "Rita", "Patricia") e Adair Gonçalves Reis ("Elber", "Leonidas", "Robson", "Sorriso", "Van"); pela VAR-P, Lígia Maria Salgado da Nóbrega ("Ana", "Celia", "Cecilia", "Ceguinha", "Isa"), Hélio da Silva ("Anastacio", "Nadinho") e Carlos Alberto Salles ("Soldado"); pelo PCBR, Getúlio de Oliveira Cabral ("Artur", "Feio", "Gogó", "Gustavo", "Soares", "Tarso").

O jornal "O GLOBO" comentou o fato, com o título de "REPULSA":

"Tinha dezenove anos o marinheiro inglês David A. Cuthberg que, na madrugada de sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos mais alegres. Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita para comemorar os 150 anos da Independência do Brasil. Uma rajada de metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi em que se encontrava. Não teve tempo para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia compreender. Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para logo em seguida completar a infâmia, despejando sobre o corpo ainda palpitante panfletos em que se mencionava a palavra liberdade. Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra o regime brasileiro. A transação desejada nos oferece a dimensão moral dos terroristas: a morte de um jovem inocente em troca da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo cumpre, no Brasil, com crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos."

Pode-se observar que, naquela época, os comunistas eram chamados de "terroristas", suas organizações, de "reduzidas maltas de assassinos" e suas ações, de "crimes repulsivos".

Hoje, passados muitos anos, a mesma imprensa os glorifica como heróis que lutavam contra a ditadura militar. E os nossos atuais governos, além de abrigarem os ainda vivos, indeniza com muito dinheiro os familiares dos que morreram.

F. Dumont

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ASSASSINATO DO 2º TEN DA FAB MATHEUS LEVINO DOS SANTOS

Na esteira das discussões sobre o desencadeamento ou não da luta armada, discussões essas que fracionaram o Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi criado em abril de 1968, numa reunião em um sítio próximo a Niterói/RJ, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).

Seus maiores líderes eram Mario Alves, Apolônio de Carvalho, Jacob Gorender e Bruno Costa de Albuquerque Maranhão.

Sua Resolução Política, que estabelecia a luta armada, privilegiava a "guerra de guerrilhas" no campo, complementada, ao mesmo tempo, com a "guerrilha urbana".

"O caminho da Revolução Brasileira é, portanto, a luta armada. No curso do processo revolucionário, é preciso coordenar várias formas de lutas de massas, pacíficas e não pacíficas, legais e não legais. As formas de ações legais ou pacíficas devem ser utilizadas para desenvolver o movimento popular, mas, com o emprego exclusivo de tais meios a revolução não pode ser vitoriosa. A violência reacionária só pode ser vencida com a violência revolucionária."

Desde seu primeiro ano de vida, o PCBR contou com os recursos humanos dos quadros oriundos do PCB e dos recursos financeiros obtidos com os milhares de dólares furtados pelo Jorge Medeiros Valle, o "Bom Burguês", e entregues, em boa parte, ao partido.

No ano seguinte, o PCBR já estava estruturado em 6 Comitês Regionais (CR), englobando 16 estados da Federação. Para a condução da luta armada, nome pomposo que encobria a realização de assaltos, atentados a bombas e assassinatos, cada regional possuía um Comando Político-Militar (CPM)

Nesse ano de 1969, três assassinatos iriam "adornar" o futuro currículo dos violentos militantes do PCBR:

- o de 31 de outubro, em Olinda, Pernambuco, quando Nilson José de Azevedo Lins, um jovem de 23 anos, gerente da firma "Cornélio de Souza e Silva", distribuidora dos produtos da Souza Cruz, foi assaltado e morto;

- o de 17 de dezembro, na Praça do Carmo, no subúrbio carioca de Braz de Pina, quando o sargento da PM Joel Nunes, ao tentar impedir o roubo de um banco, foi morto a tiros por Avelino Bione Capitani; e

- no dia seguinte, 18 de dezembro, quando o soldado do Exército Elias dos Santos, ao participar de um estouro de aparelho do PCBR localizado na Rua Baronesa de Uruguaiana, 70, no bairro de Lins de Vasconcelos, na então Guanabara, foi morto com um disparo à queima-roupa de uma pistola .45, desfechado por Antonio Prestes de Paula.

O Comitê Regional do Nordeste (CR/NE), um dos seis CR estruturados, abrangia os estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, e estava integrado por Nicolau Tolentino Abrantes dos Santos, Francisco de Assis Barreto da Rocha Filho, Juliano Homem de Siqueira, Marcelo Mario de Melo, Alberto Vinicius Melo do Nacimento e Luciano de Almeida.

Em meados de 1970, o CR/PCBR/NE resolveu seqüestrar o Cônsul norte-americano, em Recife, a fim de trocá-lo por militantes que haviam sido presos. Para isso, entretanto, era preciso um Volkswagen branco, à semelhança do pertencente a Nancy Mangabeira Unger ("Andrea, "Cristina", "Joana", "Paula"), membro do CR, que julgavam já conhecido dos órgãos de segurança.

Depois de duas noites de procura, encontraram, às 2200h de 26 de junho de 1970, um Volks estacionado na Avenida Bernardo Vieira de Melo, em Jaboatão, nas proximidades do Hospital da Aeronáutica. Quatro militantes do PCBR desceram do carro dirigido por Nancy Mangabeira Unger: Carlos Alberto Soares ("Álvaro", "Ivo", "Julião", "Toinho", "Vitor"), José Bartolomeu Rodrigues de Souza ("Eduardo", "Cantor", "Tropicalista", "Tropi", "Teo", "Luizinho"), José Gersino Saraiva Maia ("Fabiano", "Felipe", "Fernando", "Ivan", "Rivelino", "Riva", "Rui")

e Luiz "Jacaré", este nunca perfeitamente identificado.

Ao tentarem render o motorista, este, identificando-se como tenente da Aeronáutica, tentou reagir. Carlos Alberto Soares não teve dúvidas e, disparando à queima-roupa, atingiu-o por duas vezes, na cabeça e no pescoço.

A vítima, o Tenente Matheus Levino dos Santos, chegou com vida ao hospital, sendo operado dois dias depois. Entretanto, após 9 meses de impressionante sofrimento, veio a falecer em 24 de março de 1971, deixando viúva e duas filhas menores.

Um relatório médico datado de 04 de março de 1971 traça um quadro impressionante da situação do Ten Levino:

"Visto hoje, após 8 meses, apresenta um dos quadros mais tristes a que pode chegar um ente humano. Vive, hoje, depositado em colchão adequado de borracha cheio d'água; mesmo assim, não foi possível evitar as escaras de decúbito que, a despeito também de todos os cuidados da enfermagem, conta hoje com 27 escaras disseminadas praticamente em todo o corpo, algumas delas já chegando na exposição do osso. Não é capaz de manter conversação. Por vezes, quando estimulado, passa a responder nossas perguntas por meio de monossílabos. Tem emitido, com freqüência, gritos que podemos dizer horripilantes, que são ouvidos em toda a enfermaria onde se encontra e em outras dependências do Hospital."

No IPM, além dos citados, também foram indiciados Marcelo Mario de Melo, Alberto Vinícius Melo do Nascimento, Francisco de Assis Barreto da Rocha Filho e Vera Maria Rocha Pereira.

Ao longo de sua história, o PCBR ainda ceifaria as vidas de outras pessoas, sempre ao abrigo de sua ideologia radical e violenta.

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